30/10/2006

Fio-terra será obrigação legal

Fonte: O Estado de S. Paulo

A partir de outubro, entra em vigor lei federal, que obriga o aterramento em todas as construções

Zap o especialista em imóveis

A partir de outubro, as construções novas terão que ter instalações elétricas protegidas por fio-terra. O aterramento, que já é norma pela Associação Brasileira e Normas Técnicas (ABNT) há mais de 40 anos, passou a ser exigência legal com a aprovação da Lei n.º 11.337 no mês de julho. “Agora começa o trabalho de regulamentação”, diz Sérgio Aredes, presidente do Sindicato dos Condutores Elétricos, Laminação e Trefilação de Metais Não-ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel).

A lei tem como objetivo reduzir os riscos de acidentes. “Os problemas com a fiação elétrica são a segunda maior causa de incêndios no país, segundo o Corpo de Bombeiros”, diz Aredes.

Somente no Estado de São Paulo, são registrados em média, 40 mil incêndios por ano. Desses, por volta de 48% estão ligados a acidentes elétricos. “Numa comparação bem simplista, é como ter um pára-raio interno. Se houver descarga, a energia será levada para a terra.”

Segundo Aredes, as descargas acontecem geralmente por sobrecarga de circuitos, principalmente em função do uso das tomadas múltiplas, ou “Ts”. “O aterramento é comum nas obras de grandes construtoras. O problema maior são nas pequenas, mesmo que se trate de uma obra de alto padrão”, diz ele.

A regulamentação deverá vincular a liberação do “habite-se” pelas prefeituras ao cumprimento da lei. E delegar aos bombeiros a tarefa de fiscalizar a real adoção das medidas. “Eles já fazem vistorias do sistema hidráulico. Fica fácil ver também o fio-terra”. A medida deverá aumentar em 5% o consumo de cobre, hoje estimado em 90 mil toneladas/ano.

As construções antigas serão tratadas depois da regulamentação da lei. “Vamos estudar um prazo para que se adaptem”, diz.

Quem quiser se adiantar, pode procurar orientações no programa Casa Segura, criado pelo Sindicel em parceria com os bombeiros e demais entidades do setor para dar assistência à população. “Contamos com a ajuda de um grupo de estudantes de engenharia, que pode vistoriar o imóvel, emitir um laudo e dar toda a assistência necessária, incluindo a identificação de linhas de crédito”, diz. l (www.sindicelabc.org.br)

Como Fazer 

O aterramento de uma construção é feito com a adição de um fio de cobre, que sai dos aparelhos elétricos e vai até o “padrão”, ponto de luz da concessionária. “Colocar na terra é o mesmo que ligar ao cano do chuveiro. Dá choque do mesmo jeito”, diz Aredes.

Lorinaldo Ferreira Moraes, da Moraes, empresa que presta serviço de elétrica e hidráulica para a C&C, ensina que é preciso enterrar uma haste de cobre ao lado do padrão. “O tamanho vai variar de acordo com a demanda por energia elétrica da residência. A forma de calcular está na norma da ABNT”, explica. Para uma residência, será de 2,3 m. “Como tem que deixar 10 cm para fora, a haste terá 2,4m no total.” Essa haste custa, em média, R$ 15,00.

O fio – com 10 milímetros quadrados de bitola, que custa R$ 6,00 o m² em média – sai do padrão, passa pela haste e vai acompanhar a fiação elétrica, até as tomadas, que também terão que ter um terceiro pino. Custam de R$ 5,00 (básicas) até mais de R$ 40,00 (de alto padrão). Além disso é preciso pagar a mão-de-obra. Na Moraes, a instalação elétrica, incluindo aterramento e materiais, custa R$ 25 o metro quadrado.

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