30/10/2006

Flat começa a atrair cliente residencial

Fonte: O Estado de S. Paulo

Excesso de oferta na capital tornou investimento ruim, mas um bom negócio para quem quer alugar

Clayton de Souza/AECalma – Com o flat, Kaarah terá tempo para conhecer São Paulo antes de alugar um apartamento

Criados para competir com os hotéis, os flats começam agora a disputar também clientes residenciais. Depois de grandes investimentos durante a década de 90, não renderam como o esperado e hoje, com mais de 30 mil quartos na capital, o mercado estagnou, há excesso de oferta e conseqüentemente os preços de locação caíram.

“Para o investidor, foi um péssimo negócio. Mas para quem vai alugar está valendo muito a pena”, analisa o diretor de Flats do Sindicato de Habitação (Secovi-SP), Heleno Maluf.

O diretor da Imobiliária Paulo Roberto Leardi, Germano Leardi Neto, diz que o preço mensal médio de hospedagem de um flat de 40m² caiu de R$ 2,8 mil para R$ 1,2 mil. “Existem flats de R$ 900, R$ 1 mil na zona Sul e Oeste. Mas sempre estão ocupados”, diz. “Com R$ 1,4 mil é possível alugar um flat novo, com dois anos de lançamento.” Nos preços estão incluídos IPTU, mobília, decoração e condomínio com alguns serviços, como arrumadeira e lavanderia.

Maluf diz que o grande público dos flats continua sendo os habituais: executivos, estrangeiros que vêm a trabalho por um período curto de meses e recém-divorciados.

Para o vice-presidente de Locação do Secovi-SP, José Roberto Saldanha Federighi, o excesso de ofertas de flats é grande e obrigou os proprietários a baixarem o preço para, ao menos, manter a ocupação e pagar os custos de operação.

O que deve perdurar no curto prazo. Segundo Federighi, pelo menos nos próximos cinco anos não há perspectiva de reversão desse cenário, o que fez com que flats mais velhos mudassem de vocação.“Os mais antigos, nos Jardins, cortaram alguns serviços e se tornaram condomínios residenciais”, explica.

Novos usuários

Além dos preços, a comodidade e a simplicidade dos contratos atrai novos usuários. Paga-se pelo tempo de hospedagem, sem necessidade de fiador ou qualquer outra burocracia que um contrato de locação residencial exige. É uma boa opção, por exemplo, para quem ainda não conhece bem a cidade e quer um tempo para se estabelecer.

Foi o que aconteceu com o estudante de Artes Visuais da faculdade Belas Artes, João Eulálio Kaarah, de Brasília, há uma semana em São Paulo. O pai lembrou-se de um flat em que havia ficado e decidiu alugá-lo. “Assim posso procurar com calma um lugar para ficar definitivamente”, explica o estudante.

Kaarah está pagando R$1.150 mil por mês e destaca a localização privilegiada de onde está. “Fica entre duas estações de Metrô, tem cinema, supermercado, lojas, tudo perto.” Leardi Neto explica que a maioria ainda faz contratos de até três meses e que o comum em estadas maiores é renovar o contrato ou até mudar de quarto.

Mas que há casos de proprietários que fazem contratos mais longos para garantir a ocupação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.