30/10/2006

Forasteiros se tornam moradores em Florianópolis

Fonte: O Estado de S. Paulo

Qualidade de vida, educação e segurança atraíram empresas e novos moradores; fatores que valorizam setor imobiliário da cidade

Fábio Vendrame/AE e James Thisted/ReproduçãoForasteiros se tornam moradores em FlorianópolisPreservada – crescimento imobiliário, capital catarinense ainda tem natureza exuberante, como golfinhos surfando na praia (dir)

Morar ou ter um imóvel para lazer na praia é uma opção que pode assustar pelos custos de manutenção, o perigo de desvalorização – as praias entram e saem de moda – e a freqüência com que a família o utiliza.

Esses entraves são atenuados em cidades que têm vida intensa mesmo fora de temporada, como Rio de Janeiro, Salvador e Florianópolis. A última teve uma valorização muito grande nos últimos anos após a duplicação da principal via de acesso à cidade, a BR 101.

A melhoria da infra-estrutura entre o aeroporto e a cidade e a combinação de boas estatísticas como custo de vida, educação, segurança e qualidade de vida atraíram empresas, moradores e investidores para Florianópolis.

Além do crescimento da procura, a legislação local e as limitações territoriais da ilha potencializaram a valorização imobiliária da capital catarinense. “É uma legislação dura que não permitiu construções desenfreadas e evitou uma nova Camboriú, aquele paredão em torno do mar ”, compara o economista José Pio Martins, autor do livro Educação Financeira ao Alcance de Todos.

Ele vê enormes vantagens para quem compra o imóvel para residir ou para alugar na alta temporada. “Mas quem compra apenas por lazer tem de levar em conta os custos normais de manutenção e taxas de um imóvel, quantos dias por ano pretende usá-lo e quando, pois é comum ir apenas na temporada, justamente quando se pode lucrar com ele.” O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SC), Gilberto Guerreiro, diz que em média os preços de imóveis e terrenos dobraram nos últimos cinco anos. Martins acredita ainda em uma boa valorização imobiliária em Florianópolis, mas não nos níveis dos últimos dez anos.

O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC), Gilmar dos Santos, é mais confiante. Está impressionado com a invasão paulista de três anos para cá, pois estava acostumado com a vinda dos gaúchos como novos moradores. E acredita que a cidade tem motivos para trazer ainda mais gente.

“A receptividade do povo daqui é cativante. A gastronomia melhorou muito. A segurança é privilegiada. E a natureza nos favorece demais”, diz Santos, dando como exemplo a existência de dunas, semi-árido, mata nativa, áreas planas e montanhosas e praias com água calma ou agitada, quente e fria na mesma ilha.

Nova vida

Depois de morar por 43 anos em São Paulo, Marcos Tellini teve a oportunidade de mudar de vida. A CPM, empresa de desenvolvimento de software em que trabalha, decidiu convidá-lo para comandar a nova filial em Florianópolis.

“Estava acostumado com outro ritmo, marcar as coisas para o horário de almoço, agendar pelo menos uma hora para ir de um lugar a outro. Foi difícil no início.” Separado, conheceu e casou-se com uma moradora local e hoje não troca a capital catarinense por nada. Pensa até em comprar um outro imóvel na cidade para veraneio, na praia Brava, a 25 minutos de sua residência.

“Florianópolis parece uma cidade do interior, mas com inúmeras praias e com todos os serviços de uma capital.” Tellini também leva em consideração uma possível valorização do imóvel. A casa que pretende comprar fica no condomínio horizontal Villas da Brava, a 250 metros da praia. São 35 unidades, com 125 m² (R$ 190 mil) e 150 m² (R$ 290 mil).

“Quando cheguei aqui cogitei comprar um terreno em Jurerê Internacional e um ano e meio depois já tinha triplicado o preço. Agora nem imagino quanto custa”, diz Tellini.

A Jurerê Internacional é a praia que hoje tem os imóveis mais luxuosos e caros de Florianópolis. O empreendimento turístico-residencial Il Campanário, por exemplo, composto por quatro torres com cinco pavimentos cada, tem unidades de 38 m² a 132m², com preços médios a partir de R$ 321 mil até R$ 921 mil (incluem mobília, decoração, equipagem e enxoval). A entrega está prevista para 2007. Imóveis horizontais nessa praia têm em geral mais de 400 m².

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