01/06/2007

Freguesia supervalorizada

Fonte: Jornal da Tarde

Preço dos imóveis no bairro subiram até 60%; valores equiparam-se ao de bairros mais nobres

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisA tranqüila Freguesia do Ó assiste à verticalização do bairro, mas sem perder o clima de cidade do interior, com agitos noturnos no Largo da Matriz Velha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos bairros mais tradicionais da Capital, a Freguesia do Ó carrega até hoje a pecha por se situar do lado ‘pobre’ do Rio Tietê. O contraste com a banda de lá (Lapa, Perdizes e Pompéia) é visível, principalmente pela maior diversidade de lazer que ela apresenta. As diferenças, porém, param por aí. Porque do ponto de vista do mercado imobiliário, cruzar a ponte não implica mais uma mudança de vocação e nem de paradigma.

Nos últimos dois anos, os imóveis da Freguesia do Ó sofreram uma supervalorização significativa a ponto de nivelar os preços. Os valores se distanciaram da realidade de muitos moradores do bairro e se aproximaram, em contrapartida, das ofertas das regiões mais abastadas. Um sobrado de três dormitórios com três vagas na garagem cujo valor não ultrapassava os R$ 220 mil à época, por exemplo, hoje tem teto de R$ 350 mil.

Segundo o gerente de vendas da Selo Imóveis, William Fabian Barbosa, a alta dos preços se deve não somente à valorização do bairro, que tem recebido nos últimos anos uma porção de novos empreendimentos, mas também ao efeito bola de neve que essa expansão acarreta. “As construtoras estão pedindo valores acima do que os moradores da região podem pagar. E as pessoas que querem vender suas casas se baseiam nos preços dos novos para fazerem suas ofertas”, explica.

Barbosa conta ainda que os clientes da Freguesia procuram imóveis com média de preço de R$ 100 mil. E essas ofertas, diz ele, são raras no mercado da região. “A Freguesia está supervalorizada. Um apartamento de três quartos não sai por menos de R$ 130 mil. A procura é muito grande nesse perfil, mas as ofertas estão praticamente nulas nesse valor.”

O corretor de imóveis Sebastião Borges de Araújo, que também atua na região, sustenta a explicação do aumento da procura. “Isso é fato. A demanda é muito grande e temos carência de imóveis na faixa dos R$ 70 mil e R$ 80 mil”, diz ele.

De acordo com especialistas do mercado local, a valorização dos imóveis é um dos fatores motivadores da verticalização do bairro. “Uma casa de dois dormitórios com esses valores já não tem mais. As pessoas que moram em casa não querem sair da Freguesia. Por isso, quem procura um imóvel mais barato acaba optando pelo apartamento”, completa o gerente William Barbosa.

Morador antigo do bairro e corretor de imóveis, João da Mata afirma que essas mudanças têm aquecido o mercado imobiliário do bairro. “A Freguesia do Ó é bastante procurada. O bairro tem um dos menores índices de poluição da cidade e mantém características interioranas. Por isso é um dos bairros mais visados de São Paulo, com lançamentos constantes”, afirma.

Segundo os corretores, a região do bairro mais valorizada são as mais próximas às áreas comerciais, como no Largo da Matriz Velha e nas proximidades da Avenida Itaberaba. Além da tradição – a Freguesia é um dos bairros mais antigos de São Paulo, com 426 anos -, outro atrativo é a posição geográfica estratégica. O bairro fica a 18 km do Centro e tem acesso fácil às duas marginais e para as principais rodovias do Estado.

 

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