01/07/2009

Fusões no setor imobiliário marcaram 2008

Fonte: Jornal da Tarde

Grandes empresas abriram capital e compraram outras do setor

O setor imobiliário comemora a consolidação de um grande e emblemático mercado: o da classe média, historicamente mal atendido no Brasil. A entrada de centenas de milhares de pessoas no mercado consumidor, viabilizada pelo aporte maior de recursos para financiamento, redução de juros e ampliação dos prazos, provocou uma transformação no setor, que viveu um ano de grandes fusões e aquisições em 2008.

“Diante da abertura de capital das incorporadoras e construtoras, imaginamos que haveria um gargalo na área de vendas”, diz o presidente da Brasil Brokers, Sergio Freire. O empresário conta que decidiu pela aquisição de outras empresas para viabilizar os negócios. “Para ter bons produtos para vender é preciso ter uma boa equipe de vendas, que só se consegue com bons produtos para vender. Assim, a saída foi comprar empresas já consolidadas.”

A Brasil Brokers começou comprando 16 empresas no início de 2007. “Abrimos o capital em outubro e com o dinheiro arrecadado compramos mais dez.” Atualmente, a Brokers reúne 23 imobiliárias espalhadas pelo Brasil, a maioria com os antigos proprietários ainda à frente dos negócios. “Fora do eixo Rio-São Paulo, ninguém sabe o que chamamos ‘o melhor lado da rua’. Essa informação está na cabeça do empresário local.”

CAMINHO ABERTO – Freire acredita que, no caso de intermediação imobiliária, o movimento de fusões está se desacelerando, mas para as construtoras e incorporadoras, ainda não. “ Hoje temos duas grandes imobiliárias nacionais e mais de 20 empresas de construção de capital aberto. Vai haver um movimento de consolidação nas construtoras, que passa pelas fusões e aquisições”, diz.

Empresas como Cyrela e Gafisa, que trabalhavam exclusivamente com as classes A e B, hoje apostam suas fichas em imóveis de até R$ 130 mil, teto do programa Minha Casa, Minha Vida. Há três anos, a Cyrela criou a Living, marca focada em imóveis econômicos. “Começamos a trabalhar por meio de parcerias com empresas que tinham experiência nessa faixa”, conta o diretor-geral da empresa, Antonio Guedes. Neste ano a Living vai lançar o primeiro empreendimento para classe média feito inteiramente por ela, sem apoio de parceiras.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sergio Watanabe, como a Cyrela, a maioria das S.A. está com foco na baixa renda, que irá movimentar R$ 70 bilhões apenas no âmbito do programa. “A Gafisa nunca foi uma incorporadora de baixa renda, mas num primeiro momento montou a Fit para atender a esse mercado e, em seguida, comprou a Tenda.”

PESQUISA – Nova classe média: A classe C, a principal responsável pelas grandes transformações do setor, representa 52% da população e tem hábitos de consumo pouco conhecidos. Pesquisas se voltam para essa população e revelam surpresas. Apesar da maioria da população ter ficado excluída do mercado por 30 anos, apenas 17,6% dos cidadãos pagam aluguel. Conforme o consultor Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, instituto de pesquisa especializado nessa faixa, isso ocorre porque existe um grande número de futuras famílias morando na casa dos pais. Todo ano surgem no Brasil 1,2 milhão de novas famílias, 80% nas classes C, D e E. A renda também cresce: de 2002 a 2008, nas classes C, D e E, cresceu R$ 163 milhões. Há outras verdades: ele não gosta de mudar de bairro, pois construiu uma rede de apoio social lá; tem medo de não receber o imóvel e de não conseguir pagá-lo.

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