12/04/2017

Geração canguru cresce no Brasil e jovens esticam permanência na casa dos pais

São vários os fatores que influenciam na decisão, como de comodidade e parte financeira

Fonte: ZAP em Casa
geração canguru
Geração canguru demora mais para sair da casa dos pais (Foto: Shutterstock)

A tão sonhada sensação de ter o seu próprio espaço, de ganhar mais liberdade e ter mais independência tem perdido força entre os jovens. Cada vez se torna mais comum eles saírem mais tarde da casa dos pais, por livre escolha dos dois lados. Fenômeno conhecido como geração canguru, essa é uma tendência de comportamento que vem crescendo no Brasil entre pessoas na faixa etária de 25 a 34 anos. Mesmo que as condições financeiras não sejam um impeditivo, são vários os fatores que levam à permanência mais prolongada ou o retorno para o imóvel dos pais, seja por influência pessoal, econômica, social ou familiar.

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Entre os anos de 2014 e 2015, cresceu de 24,3% para 25,3% o percentual de residências que tinham um filho morando nela. Este é o maior resultado dos últimos 11 anos, de acordo com a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira – 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O aumento ao longo dos anos está relacionado a diversos fatores, sejam objetivos ou subjetivos. O primeiro dá conta de que atualmente existe a possibilidade de os jovens se qualificarem mais, juntarem mais dinheiro e também que a média de idade do primeiro casamento atualmente é de 30 e 31 anos para os homens e 27 anos para as mulheres”, explica André Simões, gerente de Indicadores Sociais do IBGE. “No segundo ponto, pais e filhos não forçam o rompimento”, completa.

Além disso, o levantamento do IBGE aponta que a questão financeira não é determinante na decisão de permanecer na casa dos pais, já que o percentual de ocupação no mercado de trabalho dos jovens entre 25 e 34 anos que viviam com os pais era de 71,7%, muito próximo dos 75,1% entre os que não moravam com os pais. Os primeiros também eram mais escolarizados, com 35,1% com ensino superior incompleto ou nível mais elevado e 13,2% ainda estudavam. Enquanto isso, os mesmos percentuais eram de 20,7% e 7,2%, respectivamente, entre os que não residiam mais com os pais.

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Jovens tem mais conforto e conseguem guardar mais dinheiro na casa dos pais (Foto: Shutterstock)

A publicitária Maria Clara de Gusmão começou a trabalhar com 19 anos, em 2010, quando cursava o quarto período da faculdade e, em 2012, no último período, foi contratada com carteira assinada. Porém, até hoje, aos 26 anos, vive na casa da mãe. “Além da economia e da comodidade, porque não me preocupo com o que vou comer e sempre tem uma comidinha em casa, nunca senti essa necessidade de morar sozinha porque sempre tive muita liberdade para fazer o que quisesse. Posso receber os amigos, levar o namorado, chegar cedo ou tarde e tenho um canto só meu”, explica. Ela completa que só vai sair da casa da mãe no próximo ano porque vai se casar. “Se eu não estivesse planejando casar, não iria querer sair nunca”, acrescenta.

São muitos os fatores que levam à permanência na casa dos pais e a facilidade é um deles. “Elas retardam esse enfrentamento do mundo real”, afirma Marcela Pires, psicóloga clínica e doutora em Neuropsiquiatria e Ciência do Comportamento. Para ela, o novo contexto familiar também é um facilitador. “Hoje em dia existe mais diálogo e independência, mesmo morando na casa dos pais, tornando-se um ambiente cada vez melhor e de amparo estendido por mais tempo. Ou seja, os jovens têm os ganhos, como a liberdade, mas não perdem a proteção dos pais”, diz.

Ela explica que o ser humano nasce de uma relação de dependência. Porém, é importante ter o tempo adequado para que ele se desenvolva. “Existem pessoas com personalidade de dependência, mas esse não é um comportamento que pode ser associado a todos os jovens que estendem a permanência na casa dos pais porque muitos deles são pessoas que estudam e trabalham e não estão sugando os pais”, explica Marcela Pires. O que existe, em muitos casos, é uma busca por cuidado. “Os jovens procuram afeto e a sociedade nem sempre dá amparo, quando não dá oportunidade de trabalho. Neste caso, fica mais difícil de o jovem enfrentar essa situação de desamparo e busca até apoio financeiro dos pais. Até porque, para sair da casa dos pais, ele vai precisar de outro imóvel e nem sempre isso é fácil de conseguir”, completa.

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É difícil determinar o momento da saída da casa dos pais (Foto: Shutterstock)

Do ponto de vista psicológico, apesar de o ser humano nascer de uma relação de dependência, é importante ele perceber que construir uma pessoa diferente do que é a mãe ou o pai faz parte. “Ele deve perceber que não precisa mais daquele amparo em determinado momento da vida”, diz a psicóloga. Até porque, segundo Marcela Pires, os casos de pessoas que desenvolvem características de dependência podem se tornar pessoas com estima baixa e incapaz de tomar decisões. “Esses podem ser jovens intolerantes às frustrações e que ficam ali porque é mais cômodo e se sentem incapazes de seguir em frente. Por isso eles acreditam que dependem dos pais, mas isso de uma forma exagerada, que não corresponde à realidade”.

Porém, é impossível determinar um momento ideal para a saída da casa dos pais. Cada caso tem uma característica diferente e fatores de influência para a tomada de decisão também diferentes. “Não tem como generalizar, mesmo que a independência seja salutar. Porém, ela deve ser um objetivo comum em qualquer relação. É importante entender que um está com o outro porque escolheu aquela situação e não porque precisa. Isso em qualquer tipo de relação, seja de pais com filhos, amizades ou relacionamentos amorosos. Se não for uma escolha e sim uma necessidade, muitas vezes o afeto pode ficar secundário”, conclui a psicóloga Marcela Pires.

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