12/01/2007

Golpistas não tiram férias

Fonte: Jornal da Tarde

Com o verão, surgem as fraudes de temporada, como imóvel que não existe ou alugado por ‘terceiros’

Monalisa Lins/AEZap o especialista em imóveisJaques Bushatsky, diretor do Secovi: ‘Visite imóvel antes de pagar por ele’

Malas prontas e carro cheio. A família parte rumo ao litoral para as tão esperadas férias de verão. Após algumas horas de viagem, de trânsito pesado e calor intenso, ao chegar no endereço indicado pelo locatário, a surpresa: o imóvel não existe. Parece pesadelo. E de fato é. Com a chegada das férias, as ofertas de locação de imóvel no Litoral aumentam, e, junto com elas, os golpes de locação, que, geralmente, ocorrem quando o imóvel alugado não existe ou quando quem o alugou não é o proprietário.

Nesses casos, os anúncios de locação foram feitos usando fotos e dados falsos e, muitas vezes, quando a vítima percebe o golpe, o telefone já não atende ou não existe mais.

O inquilino deve exigir todos os dados de quem está locando o imóvel para temporada. “Anote o nome, o número de telefone, os dados bancários e recorte ou imprima o anúncio”, recomenda o diretor de locação do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Jaques Bushatsky.

A dica dos especialistas é uma só: prevenção. “Uma medida simples, e que pode evitar eventuais problemas, é dar preferência aos imóveis intermediados por imobiliárias”, diz Bushatsky.

Se o imóvel anunciado em classificados parecer mais atrativo, algumas medidas podem ser tomadas para evitar transtornos. “Na medida do possível, visite o imóvel antes de pagar por ele”, diz Bushatsky.

O diretor de locação recomenda nunca pagar o aluguel em dinheiro. “Prefira fazer depósito em conta corrente porque fica mais fácil identificar o recebedor.” Outra medida preventiva é jamais fazer contrato verbal. Mesmo que seja um documento simples, exija que seja por escrito, pois ali estarão os dados de quem está alugando o imóvel.

A comunicação também é fundamental. “A inexatidão das informações também pode causar grandes problemas. Eu me lembro de uma ocasião em que um grupo de pessoas alugou uma ilha com uma casa em Parati, litoral do Rio de Janeiro. Ninguém perguntou o que havia de instalações e equipamentos, e quando chegaram ao local não havia água potável, e a casa tinha apenas uma cama de solteiro”, conta.

Essa falta de clareza também pode ser entendida como má-fé do locador, e quem pagou por algo que não usufruiu tem o direito de reclamar e ser indenizado.

Quem perceber que foi vítima de um golpe de locação de temporada, em casos como esses, deve dirigir-se à delegacia local, em que o imóvel está localizado, e registrar um boletim de ocorrência.

“Por isso, é tão importante ter os dados do locador”, lembra o diretor do Secovi-SP. “Quem aplica golpes desse tipo nunca o faz só com uma pessoa. O boletim de ocorrência ajuda a polícia a analisar a conduta dos infratores e chegar aos criminosos”, argumenta.

Na volta, o locatário deve juntar todas as informações de que dispõe para tentar identificar o golpista e contratar um advogado e entrar com uma ação judicial pedindo o dinheiro de volta e indenização por danos morais.

Classificados têm precauções  

Para evitar que aproveitadores utilizem os classificados de jornais para anunciar seus golpes, as empresas do segmento
começaram a adotar providências para dificultar a ação dos fraudadores

A gerente de classificados do Grupo Estado, Bera Ciorniavei, confirma a ocorrência de golpes de locação no passado

“Era comum o leitor achar que a responsabilidade era do veículo. Por isso, nós adotamos medidas para dificultar ações assim.”

Para anunciar no setor de imóveis para temporada é
preciso que o locador envie por fax cópia do RG, do CPF e da conta telefônica, além do número de telefone que será divulgado no texto do anúncio

É feita uma checagem dos dados da conta telefônica com a empresa responsável. No caso de divulgação de um número de telefone celular, é obrigatório que o anunciante comprove que o aparelho realmente pertence a ele

 

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