24/11/2009

Governo: duas hipóteses para pane elétrica

Fonte: Jornal da Tarde

Uma semana após o apagão que atingiu 18 Estados, o Operador Nacional do Sistema elétrico (ONS) revelou ontem que são duas as hipóteses da equipe técnica para a causa do blecaute, ambas decorrentes de problemas climáticos. A primeira é a já divulgada possibilidade de raios nas três linhas de transmissão entre Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP). A segunda, considerada mais provável, é de que três isoladores das linhas de transmissão tenham entrado em curto-circuito simultaneamente por causa de fortes chuvas e ventos.

“Uma corrente de eventos desse tipo pode ser comparada às casualidades que derrubam um avião. E ninguém deixa de voar por causa disso”, disse ontem o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp. O relatório definitivo só será divulgado na segunda-feira. “Ventos, chuvas e as consequências de descargas elétricas ocorrem de maneira aleatória. (A interferência do ONS) Seria evitar o impossível”, afirmou.

Segundo o ONS, curtos-circuitos são comuns no sistema, mas nunca ocorreram de forma simultânea. Um dos técnicos comentou que foi uma conjunção de casualidades tão improvável que deixou a todos “de queixo caído”. Desde 2000, por exemplo, já ocorreram nove curtos triplos (em três linhas), mas com mais de dois ou três segundos entre eles, o que impediu a amplitude do problema. De acordo com o ONS, a queda simultânea das linhas foi facilitada porque o incidente ocorreu muito próximo da subestação onde elas convergem.

Chipp criticou a posição do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que havia negado a existência de intempéries climáticas no dia do apagão. “Acho que o Inpe deve cuidar das condições climáticas. Dos efeitos disso quem cuida somos nós.” Procurada, a direção do Inpe disse que só se manifestará quando ficar concluído o relatório climático da região, até o fim de semana.

Danos nos isoladores são raros, mas não impossíveis, diz o professor da USP Sidney Martine, que presidiu a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep). Sobre a versão do ONS, ele disse que as peças já poderiam estar danificadas antes do temporal, contribuindo para a ocorrência. O especialista não acredita em problemas de manutenção.

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