02/07/2012

Governo prorroga redução do IPI para produtos da linha branca e móveis

Governo prorroga redução do IPI para produtos da linha branca e móveis

Fonte: Revista do ZAP

A redução foi estendida por mais dois meses para a linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar) e por mais três meses para móveis, laminados, papel de parede e luminárias

Enquanto o governo anunciava, em 29 de junho de 2012, a prorrogação do desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos e móveis, economistas e setor produtivo reagiam de formas distintas à renovação do estímulo. Indústria e varejo comemoram a possibilidade de vender mais no segundo semestre, mas especialistas consideram os benefícios uma estratégia equivocada reaquecer a economia.

A redução do IPI, que acabaria em 30 de junho de 2012, foi estendida por mais dois meses para a linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar e tanquinhos) e por mais três meses para móveis, laminados, papel de parede e luminárias. Foram incluídos de última hora os painéis de madeira, cuja redução passa a vigorar na próxima semana. A decisão é mais uma tentativa do governo de reanimar a economia, que cresceu apenas 0,2% no primeiro semestre.

“A prorrogação do desconto movimenta o comércio no segundo semestre, quando mais se vendem eletrodomésticos e móveis”, afirma Vilson Noer, presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo e diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.

Desde dezembro de 2011, quando passou a valer o corte no IPI para a linha branca, a venda cresceu entre 10% e 15% em relação aos 12 meses anteriores. Esta foi a segunda vez que o governo prorrogou o benefício ao setor – a primeira foi no dia 26 de março.

Fabricantes de móveis também comemoraram a prorrogação do benefício. De acordo com Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do RS, é um alento para a indústria que sofre com barreiras impostas pela Argentina para exportação, situação cujo desfecho ainda é incerto.

“O setor vendeu 10% a mais desde o início do corte no IPI, e esperamos repetir esse resultado”, diz Cansan. Segundo Noer, ainda há espaço no orçamento do consumidor para comprar bens duráveis, apesar do endividamento em alta. “O juro está em baixa, e isso possibilita que as pessoas coloquem as contas em dia e sigam consumindo”, diz.

Visão diferente tem o economista Marcelo Mello, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Para o especialista, o incentivo ao consumo com endividamento e inadimplência elevados não é alternativa para acelerar o crescimento. “Não ajudou e vai continuar não ajudando. O crescimento via consumo se esgotou. É um instrumento temporário. Ninguém compra fogão, geladeira ou automóvel todo ano”, diz.

A saída para retomar o crescimento sustentável, sustenta Mello, seria o incentivo ao investimento e à expansão da capacidade produtiva.



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