06/03/2009

Governo teme gargalo na burocracia da Caixa

Fonte: O Estado de S. Paulo

Temor é que o banco se transforme num “gargalo” que atrase o início das obras e dê munição à oposição para criticar a lentidão do programa

Brasília – Às vésperas do lançamento do pacote da habitação, surgiu uma preocupação no governo: a capacidade de a Caixa Econômica Federal dar vazão aos novos pedidos de financiamento. O temor é que o banco se transforme num “gargalo” que atrase o início das obras e dê munição à oposição para criticar a lentidão do programa. Nesse caso, seria um tiro no pé da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que pretende colher os dividendos políticos da casa própria barata em sua campanha à Presidência da República.

Problemas operacionais da Caixa ocuparam quase todo tempo da reunião de Dilma com empresários da construção civil na terça-feira. O vice-presidente da Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC), José Carlos Martins, observou que o banco precisa avaliar os imóveis um a um para conceder o empréstimo. Cada análise demora cerca de 180 dias. É um ritmo muito lento diante do objetivo do governo, que é contratar a construção de 1 milhão de moradias até 2010. A CBIC propôs avaliações conjuntas dos imóveis.

Os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, que se reuniram com Dilma esta semana, também questionaram se a Caixa será capaz de operacionalizar o pacote. A avaliação é que o banco atua de forma burocrática, como o antigo Banco Nacional da Habitação (BNH).

Para auxiliar a Caixa na tarefa de atender à demanda por novos financiamentos, o governo quer que o Banco do Brasil passe a atuar nesse segmento. O governo deverá contar também com a atuação da Nossa Caixa, recém-adquirida pelo Banco do Brasil.

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