25/11/2008

Grandes bancos já voltam a emprestar

Fonte: Jornal da Tarde

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que as operações de crédito cresceram

O Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal aumentaram o ritmo de liberação de crédito, em outubro, em relação a setembro, afirmou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, o BB teve uma elevação na liberação de 4,5%. “Aumentou a velocidade de liberação do crédito”, disse em entrevista coletiva após a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros de Estado, na Granja do Torto.

O ministro da Fazenda afirmou que o Banco Central vai divulgar hoje os resultados parciais das operações de crédito em novembro. Segundo ele, os dados vão mostrar melhora ante outubro. “Ainda não está num ponto ideal, satisfatório, mas 80% do crédito voltou.”

Mantega reconheceu que os grandes bancos do País, num primeiro momento da crise, retiveram crédito, mas afirmou que eles já voltaram a liberar empréstimos. O ministro afirmou que a reação inicial dos bancos de “segurar um pouco o crédito” foi tomada como reação ao “impacto muito forte” que a crise teve lá fora. “Agora, num segundo momento, os grandes bancos, pelo que sei, já voltaram a emprestar no volume anterior à crise”, disse. Segundo Mantega, o problema de escassez de liquidez atinge, neste momento, os pequenos e médios bancos. “Essa faixa do setor financeiro está sem crédito. Embora nós tenhamos liberado crédito para a compra das carteiras deles, eles não conseguiram recursos para voltar a empresar.”

Mantega reiterou seu ponto de vista de que a desaceleração da economia não será drástica: “Se mantivermos um consumo de 10%, é um excelente patamar. Essa é a diferença de patamar do Brasil em relação a outros países. Mesmo que haja uma desaceleração, ainda resultará em um crescimento econômico satisfatório”.

De acordo com o ministro, o governo adotará as medidas que forem necessárias para assegurar crescimento da economia de 4% no próximo ano. “A crise financeira já está afetando a economia real dos países desenvolvidos. No Brasil, haverá uma desaceleração. Mas o governo está trabalhando para não deixar que essa desaceleração se instale. Faremos de tudo para atingir a meta de 4% em 2009.”

REDUÇÃO DO IOF – Ao garantir que o governo dispõe de “um arsenal de medidas” para reduzir os efeitos da crise global sobre o Brasil, Mantega confirmou que a equipe econômica não descarta a redução de impostos, entre eles o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Outra decisão, segundo Mantega, será manter os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O presidente Lula quer manter o Brasil como um grande canteiro de obras”, afirmou. “Se houver queda de receita, cortaremos no custeio e não nos investimentos.” Segundo ele, as despesas essenciais para manter o crescimento, gerar emprego e renda serão preservadas.

O ministro destacou também que o governo tem atendido setores prioritários da economia, como o agrícola e o automobilístico. “Um que depende mais do crédito (agrícola) e outro que emprega mais gente (automotivo)”, disse. Mantega ressaltou que somente o setor de motos representa 50 mil empregos na Zona Franca de Manaus, por isso, as recentes medidas beneficiando o segmento.

A uma pergunta sobre os lucros dos grandes bancos no Brasil, respondeu: “Neste momento em que os grandes bancos no exterior estão vivendo uma crise, é um excelente sinal. É um sinal de solidez.”

A avaliação do presidente Lula na reunião, de acordo com Mantega, é que o Brasil poderá manter a trajetória de crescimento, “mas com alguns arranhões”. O presidente considera que 2009 será um ano pior para o mundo, pois haverá recessão nos EUA, na Europa e no Japão, e a China poderá reduzir seu crescimento de 12% para 8% ao ano.

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