11/11/2009

“Hipótese de vendaval é plausível”

Fonte: O Estadp de S. Paulo

Para diretor, evento explicaria dificuldade para sanar problema

Para os especialistas, pode ter havido dois problemas ontem: interrupção nas linhas de transmissão de Furnas ou falhas em algumas das subestações, que convertem a energia do Paraguai para o Brasil. Por causa disso, o diretor da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), César Barros, avalia que deve demorar para se descobrir a causa do desligamento do sistema. “A hipótese do ministro de que o problema tenha sido provocado por um vendaval é plausível. Isso explicaria a situação e a dificuldade de saná-lo”, avalia Barros.

Barros acredita que o sistema está sendo recomposto por outras usinas de menor porte, como a de Ilha Solteira, Jupiá, Xavantes, Três Marias e Furnas. “São usinas que suportam a carga, principalmente nessa hora da madrugada, em que a demanda é bem menor”, explicava, no início da madrugada de hoje. “A questão agora é descobrir o motivo e a intensidade do problema. Se for um problema de queda de linha, vai demorar de dois a três dias e pode ocorrer que tenhamos de ligar outras usinas térmicas para poder atender à carga. Supondo o pior, podemos ter problemas de abastecimento.”

Se a queda de energia foi causada por falhas nas linhas de transmissão, o problema pode demorar para ser solucionado, segundo a assessoria da Binacional Itaipu. Técnicos estimavam em até três dias o tempo necessário para se avaliar completamente o sistema. Os técnicos teriam de percorrer todo o conjunto elétrico (são cerca de 1.000 quilômetros de linhas de transmissão) para descobrir o foco do problema. Se a pane foi em alguma das subestações, por exemplo, os técnicos precisam descobrir o local exato que provocou a falha.

PROBLEMAS – Apesar de o governo federal insistir há tempos que o Brasil está livre do risco de apagões pelos próximos anos, os especialistas sempre batem na tecla de que isso não pode ser considerado uma verdade absoluta. O professor da Universidade de São Paulo José Goldemberg, por exemplo, é um desses críticos. Em julho, em meio às discussões sobre a permissão para que o Paraguai negociasse uma fatia da energia elétrica produzida em Itaipu no mercado livre brasileiro, Goldemberg disse que o governo poderia estar incorrendo em um erro. Segundo ele, o governo agia como se todos os problemas de infraestrutura na área de energia estivessem resolvidos. “Se não fosse a crise e o generoso regime de chuvas, teríamos problemas em breve”, disse, à época. Em artigo recente publicado no Estado, Goldemberg lembra que, desde o apagão de 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso, “os riscos de um novo apagão – real ou imaginário – rondam os gabinetes de Brasília e, na prática, determinam as políticas equivocadas adotadas nesse setor”.

O governo vinha comemorando recentemente a folga que o sistema elétrico brasileiro ganhou nos últimos meses, por causa das chuvas fartas. Os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste iniciaram o ano no melhor nível desde 2006, o que dá um grande conforto no abastecimento. Isso não foi, no entanto, suficiente para evitar mais um apagão.

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