09/10/2008

Idéias focadas no verde

Fonte: O Estado de S. Paulo

A 2ª edição da CAD, que ocupa mansão no Alto de Pinheiros, tira o máximo proveito do ecologicamente correto

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisBanheiro do Casal, de Luciana Tomas, placas de MDF filtram a luz que vem de fora

São Paulo – Começa depois de amanhã, dia 7, e se estende até 9 de novembro a CAD – Mostra Casa Arte Design. Em sua 2a. edição, exibe em uma mansão do Alto de Pinheiros 45 espaços montados segundo os cânones do que é ecologicamente correto.

E não é sustentabilidade para inglês ver. Lucy Amicón, uma das diretoras da CAD, diz que levou tão a sério o lema “Rumo à Sustentabilidade – Menos CO2” a ponto de ter convidado o Sistema Ambiental, grupo de arquitetos especializados em construção consciente, para dar consultoria aos decoradores na escolha de soluções menos agressivas ao ambiente. “É preciso uma verdadeira investigação para encontrar um produto sustentável no mercado”, justifica Lucy. “As empresas dispõem quase sempre de uma ou duas linhas ?ecológicas?, por isso quisemos oferecer uma orientação de modo a que ninguém errasse.”

A casa de quase 1.500 m², erguida em 1967 com projeto de Araken Martinho, estava abandonada e tomada de cupins. João Sayad, secretário de Cultura, foi quem ofereceu o imóvel para a montagem da CAD, “um presente”, reconhece Lucy. “E, em comparação à Casa das Rosas do ano passado, teve mais benfeitorias.”Assim, a fachada de pastilhas é recente, como são também novas as instalações elétricas e hidráulicas – do contrário, a casa não daria conta de satisfazer profissionais ansiosos em deixar sua marca na decoração da cidade.

Porque, além de nomes conhecidos, como Rosa May Sampaio, Ângela Tasca, Bya Barros e Clarisse Reade, pelo menos metade dos participantes faz sua estréia no mercado, servindo-se da CAD. “São jovens que cresceram ouvindo falar de sustentabilidade e encaram bem o desafio de poluir menos e reciclar mais”, afirma Lucy, que alerta: “Ninguém verá uma TV de plasma na cozinha”.

Formado em Arquitetura em 2006, Rafael Serradura assina a exposição Luz e Arte, na calçada, feita com o que seria jogado fora – portas, janelas e batentes -, após uma reforma. Ele também é o responsável pelo projeto luminotécnico da fachada, de LEDs italianos. “Consegui economizar 95% de energia só com o uso desse tipo de lâmpada”, garante.

Pensada para uma família com dois filhos, a casa também possui um espaço a ser utilizado pelos pais dos donos. Na Suíte da Melhor Idade, Beatriz Dutra investiu no piso de bambu, matéria-prima que virou fetiche na Europa e será muito vista nesta CAD – o paisagista Ricardo Pessuto, por exemplo, replantou, em seu Jardim do Bem-Estar, os bambus que usou na última Casa Cor. “Meu espaço é 100% reaproveitamento”, orgulha-se. No piso, Ricardo aplicou o casqueiro, refugo feito com a capa do granito que é jogada fora nas marmorarias.

As arquitetas Eurídice Saltini e Lina Idoeta contrataram moradores de albergue para executar a montagem do Jardim do Restaurante, que terá piso de pneu reciclado (bom para drenagem de água), fontes de garrafas de cerveja (criação de Elisabeth e Eduardo Prado), gazebo de bambu e móveis de Hugo França. Bromélias, laranjeiras, papiros e ninféias embelezam os canteiros. “Todas as plantas são nativas de São Paulo”, diz Eurídice.

Parceria artística
A arquiteta Sandra Picciotto, que participa pela primeira vez da CAD, explorou a onda retrô no Home Theater – oposta à parede de motivos psicodélicos, um painel leva X-Board, tipo de fibra feita de papel craft reciclado. No Banheiro da Suíte, feito por Luciana Tomas, o piso de pastilhas claras da Lepri reutiliza lâmpadas fluorescentes. Luciana garante ter feito um espaço inteiramente sustentável, com madeira certificada e espelhos fabricados com menos mercúrio, que não agride tanto o meio ambiente. “Só não pudemos reaproveitar a água da ducha, porque teria de quebrar muito da infra-estrutura da casa”, diz ela. Já Katia Perrone fez uma aposta no branco-e-preto para compor a Lavanderia de quase 20 m². Espaço que tem uma clarabóia lateral, onde fica o painel inspirado na obra de Athos Bulcão (morto em julho deste ano), feito de azulejos adesivados.

No final da mostra, o Projeto Arrastão, oficina artística dos moradores de Campo Limpo, receberá boa parte do que foi utilizado nos espaços. “Cada profissional tem o dever de ensinar o que fazer com aquilo. É parceria mesmo”, resume Lucy.

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