31/08/2009

IGP-M tem a 6ª deflação seguida

Fonte: O Estado de S. Paulo

Índice da FGV usado para reajustar os aluguéis caiu 0,36% este mês, após ter recuado 0,43% em julho

O IGP-M caiu 0,36% em agosto, após registrar deflação de 0,43% em julho. A taxa, calculada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é usada para calcular o reajuste dos aluguéis. No ano, o índice acumula queda de 2,02%. Em 12 meses, a taxa também é negativa: 0,71%.

A FGV anunciou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de agosto. O IPA-M (Índice de Preços no Atacado) caiu 0,61% este mês, após apresentar queda de 0,85% em julho. O IPC-M (Índice de Preços do Consumidor) teve alta de 0,16% em agosto ante alta de 0,34% no mês passado. Já o INCC-M (Índice Nacional da Construção Civil) registrou taxa positiva de 0,01% em agosto, ante 0,37% apurada em julho.

A tendência de redução das taxas negativas do IGP-M, indicada no resultado de agosto, deve se manter nos próximos meses. E, dentro de dois ou três meses, a taxa do indicador deve voltar a mostrar sinal positivo. Essa é a avaliação do economista da FG , Salomão Quadros. Ele explica que, embora as commodities estejam em processo de recuperação de preços – o que influencia diretamente os preços no atacado e, indiretamente, preços ao consumidor -, a valorização cambial, de cerca de 20% no ano, tem servido de freio ao indicador. “Mas, nos próximos meses, os preços internacionais devem se transmitir para os preços internos, e deveremos sair da deflação, possivelmente em dois ou três meses”, afirma.

Com a deflação de 0,36% em agosto, o IGP-M já alcançou uma sequência de seis meses consecutivos de taxas negativas, fato inédito na série histórica do índice. A última vez em que o IGP-M registrou um período sucessivo de taxas negativas havia sido em 2005, quando houve cinco meses seguidos de IGP-M negativo, de maio a setembro. Quadros observa que, não fosse o mês de fevereiro ter registrado inflação de 0,26% “o que foi um fato isolado e pontual”, a sequência seria ainda mais longa, de nove meses de deflação. “O mês de fevereiro foi um ponto fora da curva, incapaz de reverter o processo deflacionário da economia”, diz.

Ele observa, entretanto, que ainda que o IGP-M volte a mostrar taxas de inflação, “está cada vez mais difícil que a taxa do acumulado em 12 meses feche o ano no terreno positivo”. Segundo Quadros, se isso ocorrer, será a primeira vez na história do IGP-M que o indicador vai fechar o ano com uma taxa negativa no acumulado em 12 meses. A importância desse fato é que o IGP-M é adotado como indexador de alguns contratos, como aluguéis e tarifas públicas. Portanto, o indicador encerrar o ano com deflação acumulada pode contribuir para aliviar alguns preços, como o de serviços, que têm mostrado resistência à queda nos últimos meses.

Quadros explica que o fato de o IGP-M ter registrado forte alta no mês de outubro de 2008, de 0,98%, explica a probabilidade de a taxa acumulada do indicador manter-se negativa até o final do ano. A taxa de inflação de outubro, provocada principalmente pela desvalorização cambial ocorrida em consequência da crise internacional, deixará de ser contabilizada na inflação acumulada a partir de outubro. Como o índice segue no terreno negativo, mesmo que com taxas de deflação mais suaves, qualquer taxa mensal abaixo de 0,98% deve contribuir para manter o IGP-M com sinal de em 12 meses.

A deflação registrada pelo IGP-M nos últimos seis meses confirma que o processo de recuperação da economia mundial é gradual e ainda não foi suficiente para eliminar totalmente os efeitos da recessão sobre os preços. “O fim da recessão não pode ser medido por uma recuperação na margem. Ainda há um hiato na economia, que está diminuindo, mas ainda estamos longe da situação normal”, afirma Quadros. Ele diz que esse quadro fica claro quando se olha para os preços no atacado, que seguem mostrando variação negativa.

A percepção da economia ainda fraca, segundo Quadros, pode ser observada no comportamento dos preços de bens de investimento – que reúnem máquinas e equipamentos, caminhões e ônibus. “A demanda por investimentos está pequena, em grande parte porque a exportação está menor”, afirma Quadros. “O setor de bens de capital terá o ciclo recessivo mais longo.”

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