08/01/2009

Igreja da Revolução é tombada

Fonte: Jornal da Tarde

Basílica faz parte do Conjunto Paisagístico Outeiro da Glória, e é considerada um dos pontos iniciais da ocupação da cidade

Um dos fortes dos rebeldes da Revolução de 1924, a Igreja Nossa Senhora da Glória foi tombada pela Prefeitura de São Paulo. Localizada no alto de uma colina no Cambuci, no centro, oferecia visão privilegiada da região e foi ocupada pelos que tentavam derrubar o presidente Artur Bernardes. Os combates contra as forças legalistas destruíram a torre de ardósia, avariaram o altar e deixaram as paredes perfuradas, segundo informações da Paróquia São Joaquim, responsável pelo local

O levante iniciado no dia 5 de julho de 24 acabou desaguando na Coluna Prestes – grupo de militares e civis comandados pelo gaúcho Luiz Carlos Prestes que até 1927 percorreu o País tentando consolidar a revolução.

A igreja faz parte do Conjunto Paisagístico Outeiro da Glória, e é considerada um dos pontos iniciais da ocupação daquela área da cidade, afirma o arquiteto Dácio Araújo Benedicto Ottoni, integrante do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e relator do processo de tombamento. A construção foi concluída há 124 anos. O bairro Cambuci foi fundado oficialmente há 102.

O tombamento inclui a Capela Nossa Senhora de Lourdes, vizinha e anterior à igreja, construída como réplica da homônima existente na França, segundo a paróquia. Nesse caso, apenas as características externas têm de ser preservadas. Também estão protegidos o exterior da casa paroquial e do salão de atividades.

Com a decisão, o entorno do conjunto também sofre restrições. Os imóveis existentes na área – em sua maioria casas térreas ou de dois andares – não poderão ser aumentadas.

Vizinha da igreja, a arquiteta Rosangela Gaibina, de 50 anos, criticou o processo de tombamento, que levou mais de quatro anos. “Demoraram muito para fazer. Esperaram a descaracterização do entorno.”

Segundo ela, existe a informação de que a falta da mão em uma escultura na fachada é um resquício da Revolução de 1924. “Não tenho informações sobre isso”, diz Ottoni do Conpresp. O Jornal da Tarde procurou, mas não conseguiu falar com o padre responsável pela paróquia para comentar o caso.

O Conpresp abriu, ainda, o processo de tombamento de quatro imóveis, o que já impede modificações sem autorização do órgão. Entre eles está a casa do arquiteto Hans Broos, no Jardim Morumbi, na zona sul. “A casa foi construída para uma sociedade de amigos, alunos e pessoas interessadas na urbanização. O tombamento é para a sociedade”, afirmou.

Também está em curso o tombamento do interior do Cine Ipiranga, no Centro, que já tem suas áreas externas preservadas. Os outros imóveis são a Chaminé União, na Moóca, e a residência do Maestro Furio Franceschini, na zona sul da Capital.

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