20/07/2007

Ilhados no meio do mar de prédios

Fonte: Jornal da Tarde

Verticalização de bairros paulistanos tem isolado pequenos conjuntos de casas remanescentes

Paulo Libert/AEZap o especialista em imóveisCasas estão desaparecendo do mapa geográfico de bairros com maior adensamento e melhor infra-estrutura

Não é de hoje que a onda de investimentos em condomínios verticais vem varrendo tradicionais bairros paulistanos, sem data para cessar. Como conseqüência desse fenômeno imobiliário, provocado por uma junção de fatores, entre os quais o crescente potencial construtivo das empresas do setor, casas térreas ou sobrados estão cada vez mais ‘submersos’ num mar de prédios que compõe hoje a paisagem em muitas áreas da cidade.

Ilhados pela verticalização, os imóveis unifamiliares que ainda sustentam o perfil residencial estão desaparecendo do mapa geográfico de bairros com maior adensamento e melhor rede de serviços e infra-estrutura. Como relata o diretor da Empresa Brasileira de Estudo do patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia, um processo que teve início de forma mais expressiva na região do Alto de Santana, na Zona Norte, em meados da década de 70 e está em curso até hoje em tantos outros bairros de São Paulo.

“Em meados dos anos 80, o bairro do Morumbi foi um dos mais visados em termos de novos empreendimentos, porque tem um perímetro grande. Outra região que passou por forte processo de verticalização foi o Butantã e o Tatuapé, da década de 90 até agora, com grande volume de novos edifícios”, conta Pompéia. No mesmo período, completa, ocorreram dois fenômenos: Alto da Lapa (Zona Norte)e Vila Leopoldina (Oeste). Além destes, Perdizes e Pompéia, na Zona Oeste, e Chácara Klabin, Zona Sul, receberam e continuam recebendo um número significativo de prédios.

De acordo com especialistas consultados pelo JT, o bairro de Moema (Zona Sul) foi o primeiro da Capital a registrar uma saturação de prédios e ilhar as enormes e antigas casas remanescentes na região. O processo foi se alastrando pelos bairros das zonas Sul e Oeste, onde as construções baixas estão entrando em extinção.

Com base em dados de um levantamento feito pela Embraesp, pode-se prever que este perfil de moradia ficará ainda mais difícil de ser encontrado nos bairros do Morumbi, Tatuapé, Vila Mariana, Brooklin e Butantã, os cinco que mais receberam lançamentos de empreendimentos verticais da cidade no ano passado. Só o bairro do Morumbi, segundo a pesquisa, recebeu 27 lançamentos em 2006.

Em contrapartida, cálculos da Prefeitura de São Paulo realizados entre 2000 e 2005 estimam que somente 27% das moradias da cidade localizam-se em conjuntos verticais. Segundo o diretor da Embraesp, o porcentual demonstra que o isolamento de casas em meio às torres é um fenômeno concentrado nos bairros mais valorizadas. “Por convivermos mais na região sul, temos uma imagem errada. Olhando a cidade como um todo, descobrimos que ela ainda é bastante horizontal”, afirma.

Onde os prédios cresceram mais 

Lançamentos em 2006 

Morumbi -27

Tatuapé – 18

Vila Mariana – 14

Brooklin e Butantã – 13

Penha – 12

Jardim da Saúde – 11

Campo Belo – 10

Itaquera, Vila Guilherme e Vila Prudente – 9

Perdizes, Santana e Santo Amaro – 8

Pinheiros e Pompéia – 7

Moradias em São Paulo 

Verticais – 27%

Horizontais – 72%

 

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