28/10/2007

Imóveis acessíveis sem perder a qualidade

Fonte: O Estado de S. Paulo
Marcio Fernandes/AEZap o especialista em imóveisProdução de escala – Arquitetura pode ao mesmo tempo ampliar espaços e economizar em materiais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mercado imobiliário brasileiro está em forte crescimento. Em São Paulo, os números do crescimento aumentam a cada mês. A expectativa é que a demanda por imóveis de R$ 40 a R$ 150 mil reais chegue, nos próximos cinco anos, a 1 milhão de unidades.

Os chamados “imóveis econômicos” ou “primeiro imóvel” são os produtos que os consumidores mais precisam e que faltavam na prateleira dos incorporadores, o que deve mudar. De um ano para cá, pelo menos, as maiores empresas estão se estruturando para entrar forte nesse mercado, em escala nacional: montando novas marcas, fazendo joint ventures com empresas menores que já estavam nesse mercado, pesquisando novas tecnologias construtivas.

E existe agora um desafio para este mercado que depende quase que exclusivamente dos próprios incorporadores: que é desenvolver o melhor produto pelo preço mais competitivo. Tecnologia construtiva, por exemplo, é um fator fundamental para produzir imóveis melhores a um custo mais baixo, mas essa tecnologia precisa estar aplicada – para lembrar aqueles princípios de Vitrúvio – a uma arquitetura eficiente, bonita e sólida.

Produtos mais econômicos não precisam ser uma réplica mais barata dos imóveis de alto padrão. E também não devem ser produzidos com desleixo arquitetônico e estético. Ninguém quer apenas morar como ninguém quer apenas viver: as pessoas querem morar bem, viver bem, e os produtos desenvolvidos nesta nova fase do mercado imobiliário brasileiro precisam considerar isso. A boa arquitetura não é necessariamente mais cara. Do contrário, ela pode, ao mesmo tempo, ampliar espaços e economizar em materiais, e conferir ao produto uma elegância estética que não precisa ser mais cara.

Essa inteligência no desenvolvimento do produto – e nas operações – revolucionou mercados como a internet, o setor automobilístico, a aviação civil, entre outros. O melhor mecanismo de busca – o Google – é distribuído pelo mundo inteiro de graça. A Toyota está produzindo carros com uma eficiência incrível e de forma mais barata do que seus concorrentes americanos. A Southwest Airlines resiste inabalável no mercado de aviação civil nos Estados Unidos, transportando passageiros a um preço extremamente competitivo enquanto gigantes do seu setor desaparecem do mercado.

E todas essas marcas não são lembradas apenas por causa do preço mais baixo dos seus produtos. São empresas eficientes e rápidas nas operações, claro, e com uma marca simpática, moderna, que conversam diretamente com seus usuários. Mas, além disso: são lembradas acima de tudo pela eficiência dos seus produtos e pelo prazer que seus clientes têm em consumi-los.

O cliente brasileiro, portanto, que vai comprar seu primeiro imóvel nos próximos anos, também vai exigir isto: um produto sólido, claro, mas eficiente e bonito também, por um preço acessível. Para fechar essa equação na construção civil brasileira, curiosamente, talvez as melhores inspirações não estejam apenas na construção civil.

*Eduardo Andrade de Carvalho é administrador de empresas formado pela FGV e diretor de operações da Sabiá Residencial.

 

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