14/09/2009

Imóveis: Caixa financia mais usados na capital

Fonte: Jornal da Tarde

Banco já emprestou R$ 26 bilhões este ano (até agosto), R$ 3 bilhões a mais do que o total do ano passado. Instituição prevê liberar R$ 40 bilhões para a compra da casa própria em 2009, mas valor pode aumentar, se houver demanda

Quase metade dos imóveis usados vendidos em julho na capital paulista foi financiada pela Caixa Econômica Federal. De acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), o banco público respondeu por 46,6% das vendas no período, ante 0,97% dos demais bancos. O restante foi negociado diretamente com o proprietário ou pago à vista.

Essa é a maior participação da Caixa já registrada pela pesquisa do Creci nos últimos três anos. “O financiamento de imóveis usados chegou a um novo patamar”, diz Emerson Castello Branco Simenes, da CBS Consultoria Financeira. De janeiro a agosto, a Caixa financiou 365,8 mil imóveis usados no País, mais do que o dobro dos 168,3 mil financiados no mesmo período do ano passado. Na mesma comparação, o total de imóveis novos vendidos subiu de 138 mil para 144 mil, 4,34% a mais.

Na avaliação do economista do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, o Brasil vive um momento de consolidação do seu sistema de financiamento habitacional. “Redução das taxas de juros, alongamento de prazo e aumento do porcentual financiado estão trazendo para o mercado de imóveis o que ocorreu há 15 anos com o mercado de automóveis usados”, diz. Além disso, Petrucci afirma que o financiamento de imóveis usados se beneficiou da exposição dada pelo programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, destinado apenas a imóveis novos. “Essa exposição que tivemos na mídia melhorou a venda tanto de imóveis usados quanto de novos.”

Essa nova realidade pode ser observada nos números da Caixa. De janeiro a agosto, o banco já emprestou R$ 26 bilhões para financiamento imobiliário em todo o País, R$ 3 bilhões a mais que o total do ano passado. A maior parte desses empréstimos (R$ 14,5 bilhões) foi destinada à compra de imóveis usados.

No Estado de São Paulo, a Caixa já superou em 13% o volume previsto para este ano no e emprestou o equivalente a R$ 7,5 bilhões, mais que o dobro do financiado no mesmo período do ano passado, de R$ 3,5 bilhões.

A expansão da Caixa está também ligada à redução da participação dos demais bancos, que caíram de um total de 15,8% das vendas, em agosto do ano passado, para menos de 1% em julho do ano passado, segundo o Creci. “Mesmo com a crise a Caixa se manteve e com os juros reduzidos conseguimos ganhar participação no mercado”, diz Nedio Rosselli Filho, gerente regional de habitação da Caixa em São Paulo.

Para ele, a melhora das condições de financiamento, com a queda de juros, e o aumento do número de imóveis populares à venda impulsionaram o financiamento habitacional. “A última redução de juros que tivemos em São Paulo ocorreu em 4 junho”, diz ele.

Para o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, o mercado de usados ganhou força depois da crise econômica. “Muitas pessoas viram o imóvel usado como um investimento”, diz. Segundo ele, mesmo com o aquecimento, os preços continuam bons para o consumidor. “Nos financiamentos, o imóvel é avaliado por fiscais do banco, que cancelam a venda caso encontrem valorização excessiva. Isso protege o mercado.”

A Caixa prevê conceder R$ 40 bilhões neste ano em financiamento imobiliário. Os recursos podem ser ampliados, caso haja necessidade. O crédito para esses financiamentos vêm do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e da poupança. Os recursos do FGTS, com taxas de juros menores, de 5% a 8,66% ao ano são válidos para imóveis de até R$ 130 mil na capital paulista, e incluem também as habitações para o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Já a poupança financia unidades até R$ 500 mil, a taxas fixas a partir de 11,3% ao ano.

O cabeleireiro Eron Araújo optou pela compra de um imóvel usado por causa do tamanho. “Os apartamentos de hoje são muito claustrofóbicos.” Ele pagou R$ 350 mil por um apartamento de três quartos no bairro da Bela Vista após vender seu imóvel anterior, na zona sul de São Paulo, por R$ 440 mil. Além do espaço, Araújo diz que a mudança vai trazer economia. “Eu pagava R$ 2,4 mil de condomínio e nem usufruía. Agora vou pagar R$ 500.”

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