12/12/2007

Imóveis têm melhor resultado desde 80

Fonte: O Estado de S. Paulo

Em São Paulo, número de lançamentos de janeiro a outubro cresce 60,8% e de vendas, 26,2%

A velocidade de vendas dos imóveis novos deve ser recorde na cidade de São Paulo neste ano. Até dezembro, de cada 100 imóveis ofertados, 16 deles, em média, terão sido vendidos, calcula o Secovi de São Paulo, o sindicato da habitação. De janeiro a outubro,o índice de velocidade de vendas foi, em média, de 15,6%. No mesmo período do ano passado, a velocidade média das vendas chegou a 11,4% e atingiu 12,1% no ano inteiro de 2006.

“Desde 1980, a indústria da construção civil não apresentava esse nível de pujança”, afirma o presidente do Secovi-SP, João Crestana, que prevê a continuidade desse cenário em 2008. Para o ano que vem, ele espera um crescimento, tanto em lançamentos quanto em vendas, de 15% a 20%.

De janeiro a outubro, foram lançadas 27.609 unidades residenciais em São Paulo, um volume 60,85% maior em relação ao mesmo período de 2006. Já o número de unidades vendidas somou 28.103 de janeiro a outubro, com um acréscimo 26,23% em relação ao ano anterior.

Para o gerente do Departamento de Economia da entidade, Roberto Akazawa, não há descompasso entre a taxa de crescimento dos lançamentos e das vendas, o que poderia resultar no encalhe dos imóveis no curto prazo. “O ritmo acelerado dos lançamentos é momentâneo e ganhou força a partir de setembro e deve continuar neste bimestre”, observa.

Além disso, ele pondera que o ano deve fechar com um certo equilíbrio entre o número de unidades lançadas (36 mil) e vendidas (de 33 mil a 34 mil). No ano passado, o volume de vendas de 28.324 unidades superou o total de lançamentos, que atingiu 25.689 unidades. Segundo o economista, como os lançamentos ficaram represados em 2006, isso explicaria as taxas de crescimento robustas de lançamentos registradas neste ano em relação ao anterior.

O boom de lançamentos é explicado em boa parte pela fartura de recursos investidos no setor. Desde o ano passado, observa Akazawa, 28 empresas, entre construtoras e incorporadoras, abriram o capital na Bolsa. Ao todo foram captados cerca de R$ 20 bilhões em recursos que agora estão virando lançamentos. “Cerca de 70% desses recursos são de investidores estrangeiros”, diz o economista.

O diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia, confirma o expressivo interesse estrangeiro pelo setor imobiliário. Só uma das empresas estrangeiras que procuraram a Embraesp recentemente tem para aplicar US$ 550 milhões no setor imobiliário no mundo. Do total, US$ 125 milhões estão reservados para o Brasil. Pompéia destaca que, em outubro, a Região Metropolitana de São Paulo teve um número recorde de lançamentos, com 8.850 unidades.

De acordo com Crestana, os investimentos hoje estão voltados para imóveis destinados às classes média e média alta. O grande filão a ser explorado é a baixa renda. “Os sem-teto são nossos clientes potenciais.”

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