28/02/2011

Imóvel bom e barato? Só se for na Grande SP

Fonte: Jornal da Tarde
(Foto: Divulgação)
Foram 57 mil imóveis entregues na região metropolitana em 2010 (Foto: Divulgação)

Dos 43 mil imóveis que serão entregues na Grande São Paulo em 2011, cerca de 20 mil (46,5%) ficam fora da capital, em cidades como Guarulhos, Osasco, Cotia e todo o ABC, informa a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). A tendência, que vem se desenhando desde 2007, é que o número de unidades construídas dentro e fora de São Paulo passe a se equivaler – no ano passado, dos 57 mil imóveis entregues na região metropolitana, 55% estavam na capital e 45% em outras cidades.

Construir prédios em regiões do entorno da capital é a forma que o mercado imobiliário encontrou para oferecer apartamentos com até a metade do preço daqueles de mesmo padrão lançados em São Paulo. Com a escassez de terrenos na capital, morar próximo ao centro se tornou uma opção muito cara. E já que é preciso ir longe para fazer a prestação do apartamento caber no bolso, por que não mudar de cidade?

“Já começamos a viver hoje um movimento em que as fronteiras desaparecem, você sai de uma cidade para outra e nem percebe”, afirma Luiz Paulo Pompeia, diretor da Embraesp. “Por isso, na hora de escolher, as pessoas se orientam pelo preço dos imóveis e fazem um balanço de prós e contras. Muitas decidem que é melhor viver em um lugar seguro, com qualidade de vida a ter de morar em bairros periféricos da capital.”

Segundo as construtoras, a maioria dos compradores dos imóveis do entorno de São Paulo é formada por moradores locais. Mas também cresce a parcela de paulistanos que decide viver nas cidades vizinhas. O fisioterapeuta Rogério Takarabe vai fazer essa mudança: sairá da zona sul de São Paulo para Guarulhos, na divisa com o lado norte da capital.

O apartamento que comprou fica pronto no meio do ano que vem e será um dos 12,3 mil imóveis que Guarulhos vai ganhar até 2012. “Eu e minha esposa começamos primeiro a procurar em São Paulo imóveis que custassem entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. Mas as opções que encontramos por esse preço eram em lugares feios. Eu não vou comprar um imóvel ao lado de um cortiço só para morar perto do centro de São Paulo”, diz.

Takarabe acredita que não vai sentir falta da infraestrutura de São Paulo. “Em Guarulhos tem tudo: shopping, supermercados, todas as marcas.” Ele está certo. As cidades do entorno da capital cada vez mais estão no foco de empresas, de todos os setores, que enxergam ali uma oportunidade de expandir seus negócios para atender esses novos consumidores – que estão melhorando o perfil de renda local.

“O avanço do mercado imobiliário nessas regiões é determinante para que as empresas decidam onde vão abrir suas filiais”, afirma Fabio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio. “As construtoras ficam no radar das grandes empresas, para poder inaugurar suas filiais antes mesmo de os moradores chegarem. E as pequenas empresas, por sua vez, acabam chegando um pouco depois.”

O setor de shopping centers exemplifica bem esse movimento. Apenas em 2011, estão previstas inauguração de seis shoppings na Grande São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo, um em São Caetano do Sul e outros dois em Barueri.

“A ideia é dar conveniência a quem mora nessas regiões, para que essas pessoas possam comprar de tudo perto de casa”, justifica Luís Augusto Ildefonso, diretor de relações institucionais da Associação de Lojistas de Shopping Centers (Alshop). Enfrentar o trânsito para vencer a distância até a capital, aliás, aparece como principal desvantagem de viver em outras cidades da Grande São Paulo. “Por isso os shoppings vão para lá, para que as pessoas tirem uma folga dos carros ao menos no fim de semana.”

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