16/07/2007

Imóvel econômico é a aposta da vez

Fonte: O Estado de S. Paulo

Boa parte dos R$ 5,5 bilhões levantados por construtoras na Bolsa neste ano irá para imóveis de até R$ 120 mil

Empresas do setor de construção civil que abriram o capital mais recentemente estão direcionando parte dos recursos captados com investidores para reforçar a atuação no segmento residencial econômico ou entrar nesse nicho de mercado. Só neste ano, as captações totais somam R$ 5,5 bilhões. É um pedaço desse total – que as empresas não especificam, mas dizem ser significativo – que vai aumentar a oferta de imóveis na faixa de R$ 50 mil a R$ 120 mil para um público com renda de 5 a 10 salários mínimos.

Os empresários do setor não têm dados precisos, mas avaliam que o déficit habitacional entre as pessoas dessa faixa de renda é de 800 mil a 1 milhão de unidades residenciais. “Não estamos vivendo um modismo, mas um ciclo de cinco a dez anos em que as empresas sabem que poderão investir nesse nicho”, diz o diretor-técnico da Tecnisa, Fábio Villas Boas. Em planos de 4 ou 5 anos, a Rossi Residencial fala em lançamento de 43 mil unidades e a Rodobens, de 38 mil unidades, por exemplo.

No orçamento das famílias com renda de 5 a 10 salários mínimos, cabe agora a prestação de cerca de R$ 600 desse tipo de imóvel porque os juros baixaram (estão na faixa dos 9% mais TR, graças ao incentivo do Banco Central para financiar imóvel de até R$ 120 mil) e os prazos ficaram mais longos, chegando a 25 anos (antes, eram 15 anos). Voltou também o que as construtoras chamam de “fase de fartura” no financiamento. “Hoje, os bancos correm atrás das empresas porque, com os juros menores, é mais rentável a aplicação na produção”, diz Renato Diniz, diretor de Plano Econômico da Rossi.

Adeus ao aluguel

Os financiamentos totais do SFH (imóvel até R$ 350 mil) devem somar R$ 11 bilhões em 2007. Parte desses recursos vai atender ao financiamento da produção econômica. O HSBC projeta emprestar R$ 80 milhões no crédito imobiliário, o dobro de 2006. “Em quantidade, 80% das operações devem envolver imóveis abaixo de R$ 150 mil”, diz Roberto Sampaio, diretor de Crédito Imobiliário da instituição. Imóveis na faixa de até R$ 80 mil são também beneficiados com recursos da linha do FGTS, da Caixa Econômica Federal, em que os juros são de até 8,66% mais TR.

Como esse público em geral paga aluguel, as construtoras trataram também de facilitar as condições. “Nosso prazo de entrega é de 12 meses, porque as pessoas querem sair logo do aluguel”, diz Eduardo Gorayb, diretor-presidente da Rodobens Negócios Imobiliários.

Em alguns casos, a compra pode ser feita sem entrada, com financiamento de 100% do valor, o que evita acúmulo de prestações com aluguel na fase da obra – é o que prevê acordo da Gafisa com a Caixa Econômica Federal. Na parceria do ABN Amro Real com a construtora Rodobens, o comprador não precisa comprovar renda. “Se pagar em dia nos 12 meses da obra, automaticamente estará aprovado para o financiamento bancário”, diz Gorayb.

Com isso, a participação do segmento econômico no valor de lançamentos das empresas vai crescer. Na Rossi, em 2007, ele representa 18% do valor de lançamentos. Em 2008, deverá passar a 30%. “É o segmento mais promissor dentro da empresa”, afirma Diniz.

Desde o fim da década de 80, com a escassez de financiamentos, as construtoras mantinham o foco em imóveis de padrão médio alto a alto, que custam acima de R$ 250 mil. “Era o segmento que não precisava de financiamento”, justifica o presidente da Gafisa, Wilson Amaral.

Andressa Sartori e o noivo, Rodrigo, somam uma renda de R$ 5 mil e compraram um apartamento da Gafisa na Vila Matilde em dezembro. O imóvel será entregue em fevereiro de 2009 e custou R$ 85 mil. O financiamento será pago com parcelas de R$ 500. “Preço de aluguel”, diz Andressa.

 

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