04/05/2008

Imóvel em leilão custa 30% menos

Fonte: O Estado de S. Paulo

Essa é a diferença mínima entre o preço desse tipo de unidade e aquela vendida normalmente no mercado

Sergio Castro/AEZap o especialista em imóveisNegócio – Contador João Mauro Bigliasi arrematou casa na região do ABC; ocupante saiu em oito dias

A possibilidade de adquirir um imóvel com preço, no mínimo, 30% menor que o de mercado tem levado um número cada vez maior de pessoas a procurar imóveis adjudicados, ou seja, os que são retomados por agentes financeiros por falta de pagamento e que são revendidos em leilões, concorrências públicas ou por meio de venda direta.

Entretanto, a principal dúvida que envolve esse tipo de operação diz respeito ao processo de retirada do antigo proprietário, que nesses casos fica a cargo da pessoa que arrematou a unidade.

O senso comum leva a crer que as despesas para fazer a retomada da posse podem tornar o negócio inviável em comparação com empreendimentos vendidos em condições normais.

“Há um mito muito grande em relação a isso. Mas, de uma maneira geral, essas retiradas têm sido bem tranqüilas”, relata o presidente do Conselho regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), instituição que credencia corretores para intermediar a venda dos imóveis desse gênero oferecidos pela Caixa Econômica Federal, José Augusto Viana Neto.

Ele diz que a ação movida nesses casos é simples e barata. “É um processo administrativo em que o comprador pede imissão de posse e os juízes costumam deferir rapidamente”.

Julimar Duque Pinto, advogado especializado em direito imobiliário, ressalta, entretanto, que a retirada do ocupante do imóvel vendido pode sim ser difícil dependendo de certas condições.

Rapidez

O contador João Mauro Bigliasi, felizmente, tem uma história rápida e tranqüila para contar. Em setembro do ano passado arrematou uma casa em São Bernardo do Campo. O imóvel ainda estava ocupado e o proprietário não demonstrava intenção de sair.

Ainda assim, ele conseguiu a posse do imóvel em apenas oito dias. “Não tive dor de cabeça nenhuma. Contratei um corretor especializado, que me auxiliou em todo o processo e após a compra movi a ação e rapidamente obtive a liminar que me dava a posse da casa”, conta Bigliasi, que adquiriu um imóvel de 100m² de área construída por R$ 80 mil, preço 33% inferior ao pedido por imóveis similares na mesma região. Além disso, o contador pôde financiar 80% desse valor em 17 anos.

Fora isso, Bigliassi desembolsou 5% do valor do imóvel a título de comissão para o leiloeiro e mais R$ 3 mil em honorários advocatícios para mover a ação de despejo.

Estar assessorado por um profissional especializado é a principal recomendação tanto de Viana, do Creci-SP, quanto de Bigliasi. “Trata-se de um procedimento que envolve uma série de fatores e esses corretores são especializados nisso, principalmente na questão da desocupação”, explica Viana. “Assim, evita-se a perda de tempo, como no meu caso, que tentei conduzir a compra sozinho e acabei até fazendo depósitos errados por não conhecer os processos”, conta Bigliasi.

Oferta 

Apesar das dúvidas, a procura por esse tipo de imóveis é grande, o que os especialistas atribuem ao baixo preço e à facilidade de pagamento (a maioria pode ser financiada e há permissão de uso do FGTS).

De acordo com o diretor da área de patrimônio do Bradesco, Ricardo Dias, o último leilão realizado pela instituição em São Paulo reuniu mais de 1,2 mil pessoas para disputar 83 unidades. O próximo não tem data definida, mas deve ser em meados de agosto. Mais informações podem ser obtidas em www.shopinvest.com.br/imoveis.

Somente no Estado de São Paulo, a Caixa Econômica Federal oferece cerca de 3,7 mil imóveis nessas condições, cujo valor total fica perto dos R$ 205 milhões.

A maior parte deles (95%) está disponível para venda direta, segundo informa o Conselho Regional de corretores de imóveis de SãoPaulo (Creci-SP), instituição parceira do banco federal para a venda desses imóveis. A lista de imóveis à venda está disponível no site da CEF (www.caixa.gov.br).

O Banco Santander também realiza esse tipo de venda. O próximo leilão da instituição está marcado para o dia 17 de maio, quando serão ofertados 62 imóveis em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

Detalhes dos imóveis, como localização e preço mínimo, bem como as demais condições de venda, constam no edital do leilão no site www.santander.com.br (Institucional/Imóveis) e www.milanleiloes.com.br.

No Banco Real o próximo leilão está agendado para o dia 7 de junho, quando serão ofertados imóveis com valores entre R$ 5 mil e R$ 10 milhões.

Mais informações podem ser obtidas no site do banco( www.bancoreal.com.br).

A Nossa Caixa ( www.nossacaixa.com.br) e o Banco do Brasil também efetuam venda direta e leilões periodicamente.

O Banco do Brasil realiza leilões pelo menos uma vez por mês.

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