17/11/2008

Imóvel na planta fica mais arriscado

Fonte: Jornal da Tarde

Sem crédito, empresas enfrentam problemas de caixa, atrasando a entrega de obras

A crise financeira mundial e o aperto na oferta de crédito tornaram mais arriscada a compra de imóveis na planta. Empresas do setor aguardam o detalhamento do pacote de ajuda financeira do governo para avaliar o impacto sobre os negócios. Enquanto isso, empresas, sem caixa, revisam a projeção de lançamentos, apresentam balanços financeiros preocupantes e demitem. “Quem comprar imóvel na planta neste momento vai correr um risco enorme”, alerta o proprietário da ACI Consultoria Imobiliária, Ademir Silva.

Ele diz conhecer clientes que já enfrentam atraso na entrega dos imóveis ou perceberam redução no ritmo da obra, mas evita citar nomes. “A escritura do imóvel só é conseguida quando o prédio já está pronto e com “habite-se”, mas há obras paradas ou atrasadas”, conta. Ademir Silva destaca que, sem o documento, os compradores não podem revender o bem.

O atraso, negado por grandes construtoras, seria conseqüência da falta de dinheiro na praça. Por um lado, as empresas não conseguem tomar empréstimos nos bancos porque estes passaram a restringir o crédito. Por outro, os próprios compradores finais estão receosos em assumir dívidas longas nesse momento de incerteza na economia e de alta taxa de juros. Uma das conseqüências é a desaceleração nas vendas, que faz com que as empresas revisem o fluxo dos próximos lançamentos.

Precaução
Apesar do cenário desfavorável, quem estiver decidido a comprar o imóvel deve ter cuidados extras. “É necessário cautela para evitar problemas, como a perda do imóvel por causa da falência de alguma construtora”, afirma o presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), João Teodoro da Silva.

Ele recomenda que o comprador exija que o empreendimento tenha um fundo próprio, chamado de patrimônio de afetação. Nesse sistema, todos os recursos obtidos pela construtora em determinada obra são “carimbados” para aquela construção. O incorporador não pode redirecionar parcelas recebidas de um empreendimento para outro.

Por esse regime, é criado, inclusive, um conselho para fiscalizar a administração do patrimônio do empreendimento. “Qualquer comprador pode fazer parte do grupo. É possível saber, por exemplo, se o empreendimento possui patrimônio para concluir as obras.” O fundo garante que, caso haja falência da construtora, os moradores contratem outra empresa para a conclusão da obra.

Parte dos especialistas recomenda ainda que seja exigida uma cláusula de garantia de recompra do imóvel pela incorporadora. Com ela, o comprador que quitar a dívida pode vender o imóvel para a empresa. Mas não há garantia de que o proprietário conseguirá vender pelo preço pelo valor de mercado.

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