31/08/2009

Imóvel usado sobe até 121% em um ano

Fonte: Estado de S. Paulo

Os preços dos imóveis usados chegaram a mais que dobrar na cidade de São Paulo entre julho de 2008, período antecedente à crise, e junho deste ano, quando a economia brasileira deu sinais mais robustos de recuperação. Pesquisa do Conselho Regional de Corretores de imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) indica que o preço médio do tipo de imóvel mais barato na capital paulista – casa simples, de padrão standard, construída há mais de 15 anos em regiões afastadas do centro, como Itaquera e Lauzane Paulista – teve aumento nominal (sem descontar a inflação) de 121,36% no período.

O preço do metro quadrado de desse tipo de imóvel localizado na periferia saltou de R$ 511 em junho do ano passado para R$ 1.131,13 em junho de 2009. Entre esses dois períodos, o preço desse imóvel e de todos os outros pesquisados naturalmente oscilou, explicam técnicos do Creci-SP. Contudo, se quem comprou esse imóvel em junho do ano passado o vendesse em junho de 2009 obteria um ganho superior a 100%.

Apartamentos de padrão médio construídos há mais de 15 anos e situados em bairros de classe média para média baixa (zona C), onde estão bairros como Aeroporto e Tucuruvi, ficaram 51,98% mais caros. Nesses 12 meses, o preço do metro quadrado passou de R$ 1.693,99 para R$ 2.574,54. Para apartamentos de padrão médio, construídos há 15 anos ou mais em bairros de áreas nobres (zona A), como Itaim Bibi e Campo Belo, a valorização foi de 42,76%. O metro quadrado passou de R$ 2.031,59 para R$ 3.285,71.

“O que regula os preços do mercado é a lei da oferta e da procura”, diz o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto. “Quando a procura é grande e a oferta é pouca, os preços tendem a subir.”

A crise, segundo ele, não afetou a demanda, mas atingiu diretamente os lançamentos, o que favoreceu o mercado de usados. “Desde setembro, o número de lançamentos despencou, tanto que houve um crescimento muito forte na procura por imóveis usados.”

O vice-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flávio Prando, observa que a escassez de terrenos com áreas adequadas para empreendimentos também pesa na redução de lançamentos na capital paulista. Para ele, isso vale especialmente para imóveis voltados para a classe média e a classe econômica.

“Um reflexo disso é que o mercado de novos migrou para imóveis de quatro dormitórios, que absorvem o custo do solo mais caro, empurrando ainda mais a classe média e a classe econômica para a periferia.”

Para o presidente do Creci-SP, outro fator que favoreceu o mercado foi a vantagem comparativa do imóvel como reserva de valor em relação às aplicações financeiras, cuja rentabilidade caiu de forma abrupta por causa da crise e do corte na taxa básica de juros (Selic).

Entre os ativos financeiros tradicionais, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) foi um dos que tiveram maior valorização no período de junho de 2008 a junho de 2009. Para aplicações de R$ 4 mil a R$ 5 mil, o rendimento médio foi de 9%, sem descontar a inflação e o Imposto de Renda.

Já o investimento em dólar brilhou. Quem tivesse comprado a moeda americana pelo valor médio cotado pelo Banco do Brasil em 30 de junho de 2008 e o vendido em 30 de junho último teria ganhado 22,61%.

A valorização do imóvel usado está sempre condicionada a um conjunto de fatores, como valorização ou depreciação do bairro, a demanda e a oferta ou a falta dela. O preço dos apartamentos de padrão médio construídos entre 8 e 15 na zona C, por exemplo, caiu 36,23% em 12 meses até junho.

As vendas estão aquecidas no interior paulista, principalmente em cidades grandes como Campinas e Presidente Prudente, segundo o Creci-SP. Não há estatísticas referentes aos demais Estados, mas o presidente do Conselho Federal de Corretores de imóveis (Cofeci), João Teodoro da Silva, conta que o mercado está ativo em todo o País. “Como a demanda não se abalou com a crise, os preços tendem a subir com regularidade, sem explosões”.

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