11/11/2007

Inclusão da classe média

Fonte: O Globo

Nova linha de crédito com recursos do FGTS beneficia principalmente famílias dos grandes centros urbanos

Cláudio DuarteZap o especialista em imóveis

Não é muito. Mas agora a classe média tem acesso a financiamento imobiliário com recursos do FGTS — leia-se crédito com uma das taxas de juros mais baixas do mercado. Com R$1 bilhão para todo o Brasil, a estimativa é que 11 mil famílias — cerca de 1,5 mil delas no Estado do Rio — sejam beneficiadas pela nova linha de financiamento para a casa própria, voltada para quem tem renda acima de R$4,9 mil. Foi aberto o precedente, e a expectativa do setor é que venha mais por aí. E quem ganha é principalmente a classe média dos grandes centros urbanos.

Com as novas normas, válidas a partir de janeiro de 2008, será possível comprar, pagando juros de 8,66%, imóveis de até R$350 mil, contra o valor máximo atual, que é de apenas R$130 mil para imóveis nas regiões metropolitanas de Rio, São Paulo e Distrito Federal (nas cidades de menor porte, o teto fica entre R$80 mil e R$100 mil).

Em bairros centrais de Rio e São Paulo, por exemplo, onde os valores por metro quadrado de imóveis novos raramente são inferiores a R$3 mil, com R$130 mil só se podia adquirir um apartamento compacto, com um ou dois quartos e áreas privativas entre 45 e 55 metros quadrados. A modificação permitirá que a classe média tenha maior acesso a imóveis com até três quartos e área útil igual ou superior a 100 metros quadrados. Os financiamentos serão de até R$245 mil por unidade, e o mutuário deve ter 30% de poupança própria.

— A participação do Rio no total de recursos para habitação varia de 10% a 12%. Por isso, a estimativa é que a nova modalidade financie 1,5 mil unidades no estado. Mas esse é um valor inicial e será constantemente reavaliado pelo Conselho Curador do FGTS — frisa o superintendente regional da Caixa Econômica no Rio, José Domingos Vargas.

Este ano, R$ 17 bi já foram emprestados

O setor da construção comemora a decisão. Para o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Rogério Chor, essa faixa de renda foi a que ganhou mais lançamentos este ano:

— A grande totalidade dos lançamentos deste ano custam entre R$130 mil e R$500 mil, isto é, não se enquadram nas atuais regras de financiamento via recursos do Fundo. Ainda que um bilhão de reais não vá mudar o cenário de compra da casa própria, qualquer medida para baratear a prestação é um passo que o país dá.

Somando recursos da poupança, do FGTS e dos próprios bancos, já foram ofertados este ano R$17 bilhões em crédito imobiliário. A previsão é chegar a R$20 bilhões em 2008 — desse total, R$5,4 bilhões são do FGTS para a habitação popular, além desse novo bilhão para a classe média.

— O volume de recursos ainda é pouco, mas essas medidas vão modificando o mercado. E ninguém sabe ainda qual é o potencial da classe média: 2008 e 2009 é que vão nos mostrar — afirma o presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos.

 

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