30/03/2009

Indústria de materiais de construção esperava mais do pacote

Fonte: Jornal da Tarde

Comércio de materiais de construção esperava IPI reduzido. Mas, ao abrir o plano do governo…

Niels Andreas/AEZap o especialista em imóveisTijolo está entre os produtos de materiais de construção cujos preços mais subiram nos últimos meses, em meio à crise financeira internacional

Após três meses de atraso, o pacote da habitação foi desembrulhado na última quarta-feira. Para a construção civil, um impulso. Nomeado “”Minha Casa, Minha Vida””, o programa prevê a construção de um milhão de casas, a maioria delas subsidiada pelo governo, para reduzir o déficit habitacional de cerca de sete milhões de unidades no País. Desses imóveis, 184 mil deverão ser construídos em São Paulo.

Mas, além da falta de prazo para a construção dessas casas, o mercado e, junto com ele, os consumidores, tomaram um banho de água fria com a ausência no pacote de desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção, que chegaram a aumentar 31% no ano passado, bem acima da inflação, de 5,95%.

O setor pleiteava IPI zero por dois anos ou uma redução em torno de 50% ante um cenário de crise econômica, que reduziu a venda em 18% no primeiro bimestre.

A última desoneração de uma cesta com cerca de 40 produtos, ocorreu em 2006. As alíquotas foram zeradas ou reduzidas para 5%. A ausência do item no pacote já havia sido anunciada pelo ministro da fazenda Guido Mantega, após o governo verificar uma queda na arrecadação federal no ano. Com o fim do imposto, a renúncia fiscal seria da ordem de R$ 1 bilhão.

Os maiores aumentos de materiais no ano passado foram verificados no cimento (31,66%), areia (24,76%), cal de pintura (21,10%), telha (18,14%) e tijolo (15,53%), segundo dados do instituto de pesquisas do Dieese.

Dos 15 produtos de material de construção analisados pelo Dieese nos período, apenas três tiveram deflação ou reajustes abaixo do índice geral: piso (-2,93%), material elétrico (-1,46%) e hidráulico (5,79%).

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, declarou estar frustrado. “Esperávamos um pacote de ações que incentivassem o setor como um todo. Não vamos esperar sentados. Vamos entrar em contato com ministérios e pedir ações que combatam a crise imediatamente.”

A falta de prazo para a construção das tais um milhão de casas anuviou ainda mais o cenário. “A redução do IPI seria imediata. A construção das casas deve demorar para acontecer”, diz Fox

Dílson Ferreira , presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), afirma que, há três anos, a desoneração provocou uma reação do setor. A nova desoneração poderia ser uma influência positiva com a vantagem de ser temporária.

Porém, mesmo com a manutenção do imposto, o mercado acredita que os preços devam ao menos parar de aumentar, devido ao comportamento dos insumos, que se estabilizaram.

PREÇOS – Veja quais foram os maiores aumentos nos preços dos materiais de construção no ano passado

Cimento (31,66%)

Areia (24,76%)

Cal de pintura (21,10%)

Telha (18,14%)

Tijolo (15,53%)

Dos 15 produtos analisados no período, apenas três tiveram deflação ou reajustes abaixo do índice geral (5,95%)

Piso (- 2,93%)

Material elétrico (- 1,46%)

Material hidráulico 5,79%)

A partir do comportamento dos preços dos insumos, o setor de construção civil acredita que a tendência para esse ano é que haja uma estabilização dos preços dos materiais

Fonte: DIEESE

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