30/12/2008

Inflação do aluguel sobe 9,8%

Fonte: Jornal da Tarde

Percentual é o maior desde 2004

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), responsável pelo reajuste de contratos de aluguel e contas de luz, fechou o ano com alta de 9,81%, a maior desde 2004, quando a variação foi de 12,41%. Em dezembro, porém, o índice registrou queda de 0,13%.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo índice, a alta de 2008 está ligada à disparada da inflação no início do ano. ?Principalmente no segundo trimestre, as taxas se aproximaram de 2% ao mês?, explica Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da FGV. ?Em agosto, o IGP-M já foi negativo.? Quadros lembra que a alta dos preços das commodities, com destaque para o petróleo, impulsionou o índice. A partir do segundo semestre, a tendência se inverteu, com a queda nos preços das commodities e a baixa da inflação (confira a variação mensal ao lado) ?Apenas em outubro houve um ensaio de repique, por conta da alta do dólar, mas depois o índice voltou a cair.?

Essa tendência deve continuar nos primeiros meses de 2009 – uma boa notícia para quem possui contrato de aluguel indexado ao IGP-M. Quadros afirma que a crise econômica favorece o processo de ajuste de preços. ?E não há muito espaço para que as empresas possam fazer muitos aumentos por causa do dólar?, diz o coordenador da FGV. ?Com certeza, 2009 será um ano em que o IGP-M e os demais índices de inflação serão menores que em 2008.? O IGP-M de dezembro foi calculado com base na variação dos preços entre 21 de novembro e 20 de dezembro.

A queda de 0,13% do índice neste mês abre espaço para a redução da taxa básica de juros, a Selic, já no início do ano que vem. Isso porque a inflação deixa de ser o foco de preocupação em 2009.

COMPOSIÇÃO – O IGP-M é formado por três outros índices que, em 2008, também registraram altas. O Índice de Preços por Atacado (IPA) fechou o ano com alta de 10,84%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), ligado ao varejo, subiu 6,07%.

O terceiro componente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), teve alta de 12%, puxada principalmente pelo aquecimento do mercado interno de construção civil.

Com a crise econômica, porém, o custo com materiais, serviços e mão-de-obra vem reduzindo o ritmo de crescimento: com a demanda menor, os preços sobem menos. Em novembro, o INCC subiu 0,65% e, em dezembro, 0,22%. De acordo com a FGV, os fatores que levaram ao aquecimento da demanda e à alta dos preços de materiais de construção no início de 2008 já não existem mais.

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