16/06/2008

Inquilino tem de negociar para fugir da ´inflação do aluguel`

Fonte: G1

IGP-M, indexador da maioria dos contratos, sobe acima de outros índices de inflação.
Como o percentual está no contrato, resta ao inquilino contar com a boa vontade do locador.

O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), indexador da maioria dos contratos de aluguel, está subindo acima dos demais índices de inflação. Nos 12 meses encerrados em maio, apresentou variação de 11,53%, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o que é mais que o dobro que o IPCA, índice oficial de inflação do país, que subiu 5,58% no mesmo período.

De acordo com a advogada Renata Reis, técnica da Fundação Procon-SP, como o IGP-M está em contratos assinados, não adianta ao consumidor choramingar, bater o pé ou ameaçar buscar seus direitos na Justiça: é a negociação – e a boa vontade de imobiliária ou locador – que podem garantir um reajuste menor para quem tem contrato de aluguel vencendo nos próximos meses.

Tudo no papel

Seja diretamente com o proprietário, seja com a imobiliária, Renata aconselha que a negociação seja feita por escrito. Entre as opções, diz ela, está a correção por um índice com variação mais baixa. E eles são vários: IGP-DI, INPC, IPCA – é só escolher o mais adequado para ambas as partes. “É muito simples, desde que haja boa vontade. O locatário tem que saber barganhar”, explica.

É claro, porém, que o nível de boa vontade do locador vai depender do mercado imobiliário. Em São Paulo, a procura por imóveis de um ou dois quartos é muito grande, e o preço do aluguel vem subindo acima da inflação. Para a advogada, é preciso tentar buscar um acordo logo, de preferência pelo menos 60 dias antes do mês de reajuste. “Para o inquilino, quanto mais cedo, melhor”, ressalta.

Fique atento

Para o economista Alexandre Lignus, consultor em finanças pessoais, o inquilino tem que ficar atento ao quanto está pagando na comparação com o valor do imóvel. Se ficar entre 0,5% ou 0,75% do valor de mercado, tudo bem. Qualquer valor acima disso, é preciso negociar.

Segundo ele, inquilinos que pagam em dia não costumam ter muita dificuldade em negociar. Mas, se o locador estiver irredutível, ele aconselha que o locatário busque um corretor de imóveis e tente encontrar algo na mesma região em que mora pelo preço que está disposto a pagar. “Os custos com transporte devem ser levados em conta em caso de mudança de bairro”, diz o economista. Assim, explica Lignus, a pessoa não economiza de um lado e gasta de outro.

Como o custo do aluguel tende a aumentar, a técnica do Procon-SP diz que o inquilino deve ficar atento a detalhes como o condomínio. Renata Reis lembra que a imobiliária tem que discriminar todas as despesas do edifício, para que o locatário saiba exatamente o que está sendo cobrado. Segundo ela, mesmo que o locatário tenha deixado este detalhe passar, ele pode solicitar facilmente a prestação de contas relativa aos últimos 12 meses.

Aluguel x financiamento

Lignus também afirma que é preciso ter cuidado ao se pensar em trocar o aluguel por um financiamento. Segundo ele, há algumas regras a observar: a diferença entre o valor do aluguel e do financiamento não pode ser superior a 30%; o efeito da nova obrigação sobre a capacidade de poupança da família; e as diferenças entre o imóvel locado e o que será financiado (idade do imóvel, estado de conservação, valor de condomínio e do IPTU). Tudo deve ser colocado na ponta do lápis.

Para o consultor, na hora de alugar ou de financiar o imóvel, o consumidor tem que saber que, qualquer que seja a escolha, ele perderá dinheiro – seja com o pagamento do aluguel, cujo dinheiro não tem volta, seja com os juros do empréstimo. Ele diz que, como regra geral, caso a diferença entre o aluguel e o valor da prestação seja muito grande, é melhor evitar assumir uma obrigação de longo prazo.

 

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