23/05/2008

´Investimento em imóveis no Brasil vai mais que dobra`

Fonte: O Estado de S. Paulo

Fábio Nogueira: sócio da Brazilian Finance e Real Estate; Com o grau de investimento, País deve receber R$ 20 bilhões por ano em investimentos estrangeiros em imóveis

Sergio Castro/AEZap o especialista em imóveisSalto histórico – Para Nogueira, Brasil repetirá trajetória do México

Após uma pausa brusca provocada pela crise dos Estados Unidos, o mercado imobiliário brasileiro deve receber um novo impulso com o grau de investimento, nota de país seguro para investimento dada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Para Fábio Nogueira, sócio do grupo de investimentos imobiliários Brazilian Finance e Real Estate, os investimentos estrangeiros em imóveis no País podem saltar de R$ 8 bilhões para R$ 20 bilhões ao ano, movimento semelhante ao que ocorreu no México há alguns anos.

Com o grau de investimento, o Brasil voltará a receber investimentos no setor imobiliário?

O grau de investimento, somado à percepção de que o Brasil está descolado da crise americana, fará o dinheiro voltar a aparecer. Tivemos três anos de investimentos, seguidos pela apreensão com a crise americana. As empresas deram uma pausa para reavaliar a situação, mas o dinheiro voltará. Já percebemos interesse de investidores, por exemplo, nos fundos que nossa empresa administra, e recebemos consultas de investidores asiáticos sobre a atividade imobiliária no País.

Quanto pode ser injetado de dinheiro no mercado brasileiro?

Em todos os segmentos – financiamento, construção, investimento – a carência, a demanda e as oportunidades são tão grandes que certamente estamos falando em algo em torno de R$ 100 bilhões nos próximos cinco anos. Eu acredito que serão R$ 20 bilhões ao ano, porque os fundamentos desse mercado estão excelentes no Brasil.

Que fundamentos são esses?

Inflação sob controle e juros mais baixos. A confirmação do investment grade por outra agência seria muito bem vinda também.

A pressão de inflação e a elevação dos juros podem influenciar os investimentos no País?

Podem. Mas enquanto os juros estiverem em um patamar abaixo de 13% ao ano, o mercado estará muito ativo, e acima disso pode parar um pouco. Ainda há margem para o Banco Central administrar essa taxa sem causar danos ao mercado.

Então, pode-se dizer que não haverá crise imobiliária no País?

Se houvesse uma crise imobiliária no Brasil, seria por falta de investimento, não por problemas de crédito. Mas não me parece que vá faltar investimento. Por dois ou três anos, entraram muitos recursos no segmento, e esse dinheiro está sendo investido. Primeiro as empresas devem cumprir os compromissos que já assumiram, mas ao necessitar de novos recursos terão condição de captá-los.

Os investidores estrangeiros buscam que tipo de imóveis?

De tudo. Comercial locado, residencial em construção e shoppings. O Brasil pode oferecer para essa turma opções financeiras que não deixam nada a desejar para o que existe lá fora. É um grande avanço.

Parte desse interesse dos estrangeiros vem do fato de os imóveis aqui serem baratos?

Comparando-se os imóveis daqui com parâmetros de fora, sim, imóvel aqui é barato. Na verdade, lá fora os aluguéis são muito caros. Considerando que o Brasil, como membro do clube do grau de investimento, não deveria ter muita discrepância em relação a outros países, é natural alguns investidores apostarem na valorização do imóvel brasileiro, e é isso que eles perseguem.

O México tinha condições semelhantes às do Brasil, quando recebeu o investment grade. O que aconteceu lá?

O México passou a receber investimentos superiores a R$ 10 bilhões por ano. Grande parte das operações tinha a participação de estrangeiros. Aqui, os bancos nacionais e internacionais já estão bastante agressivos, e há empresas como a nossa crescendo de maneira consistente tanto em novos empréstimos como em securitização. Estamos quebrando paradigmas e vivendo uma fase que historicamente não tem comparação. Não existe no horizonte nada que coloque em risco o sucesso desse segmento. A demanda hoje chega a 7 milhões de moradias – a maior parte em baixa renda, mas também há classe média e alta. É muita coisa.

Com esse horizonte, o que deve acontecer com as empresas brasileiras?

Deve haver consolidação entre as empresas, mas os incorporadores têm muita dificuldade em pensar em fusão porque são empresas familiares. O aspecto cultural retarda esse processo, mas ele já está acontecendo.

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