25/11/2007

IPC dos materiais é de 7,56%

Fonte: O Estado de S. Paulo

Alta reflete pressão do consumo, que deve registrar crescimento de 8,5% este ano. Peso maior é de serviços

Grandes cidades como São Paulo ganham um novo prédio por dia nos últimos meses, segundo o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. Um cenário que provoca explosão de consumo de materiais de construção. A Anamaco projeta um crescimento geral de 8,5% em 2007. “Até setembro crescemos 7%, mas o mercado tende a se aquecer ainda mais até dezembro, com a aproximação das festas de final de ano”, prevê Conz.

Dados da Anamaco, que representa 138 mil lojas no Brasil todo, mostram que materiais básicos, pisos e tintas tiveram crescimento maior, de 12,5%, seguidos pelas vendas de materiais elétricos e hidráulicos, respectivamente 8% e 6,6% na comparação com 2006.

Esse aquecimento teve um forte impacto nos preços, especialmente de cimento e aço. O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC/Fipe) acumulado de janeiro a outubro deste ano para reparos no domicílio, que pesquisa preços de materiais básicos e mão-de-obra, ficou em 7,56%, mais que o dobro do IPC geral, de 3,05%.

Em 2006, quando começou a onda de construções, o aumento foi de 3,48% ante 1,07% do índice geral. “Esses índices refletem algo que vai além do que ocorre com o setor. É reflexo do forte crescimento da economia doméstica”, afirma Márcio Nakane, coordenador do IPC/Fipe. A partir dessa avaliação, Nakane aponta o preço da mão-de-obra como item de maior peso. “Em geral, é o setor de serviços que pesa”, explica.

“O saco de cimento subiu de R$ 9,00 para R$ 15,00 em dois meses. E, pior do que isso, tivemos que esperar até 15 dias para receber o produto”, diz Jocelino Bispo dos Santos, assistente-administrativo e responsável pela compra de materiais da Migra Construtora Ltda, que atualmente toca a construção de cinco casas de alto padrão em São Paulo. Segundo o empreiteiro, o aço também teve reajuste alto, de 13% em média. “A barra de ferro de 10 mm e 12 metros hoje custa R$ 19,00. Antes custava R$ 15,00”, conta.

Na Migra, a mão-de-obra é calculada com base no orçamento. “Cobramos 30% do valor total da obra. Assim, o preço subiu também, entre 20% e 30%”, explica. Embora nem todos os empreiteiros e construtoras utilizem esse sistema de cálculo, o aquecimento do mercado cria dificuldades de contratação e deixa o valor da mão-de-obra sob efeito da lei de oferta e procura. “Faltam engenheiros nas construtoras e pedreiros para as pequenas obras. Quem sofre mais é quem precisa de pequenos reparos”, diz Jorge Gonçalves Filho, diretor-geral da C&C Casa e Construção, que há três anos oferece aos seus clientes um serviço de ajuda na contratação. “O C&C Mão-de-obra minimiza os problemas”, diz.

Para Gonçalves, a pressão da demanda ainda vai levar um tempo para diminuir. “Os novos lançamentos, que impactaram o mercado, ainda estão na fundação. Tem ainda muita obra pela frente e quando atingirem a fase de acabamento, teremos novos problemas”, diz.

Opções

O diretor da C&C diz que o consumidor individual não está tão desamparado como parece. “Essa inflação afeta mais as grandes construtoras, a indústria da construção. O consumidor do varejo tem muitas opções. Pode procurar outras marcas e mesmo pesquisar entre as lojas. Há muita concorrência, que favorece a compra para quem faz pesquisa de preços, e a indústria de materiais teve um avançao fantástico nos últimos cinco anos”, ensina.

Para ele, excluindo o cimento e o aço, a inflação ainda não chegou ao varejo. “Há muita disponibilidade de produto. As empresas ainda não esgotaram sua capacidade de produção e tem a concorrência que o varejo impõe. Não há espaço para aumentos exageradamente acima da inflação”, diz.

No caso do cimento e aço, Conz, da Anamaco, acredita que o pior já passou. “O crescimento de venda é inegável e há ainda o repique. O lojista, diante da ampliação dos prazos de entrega e do aumento nas vendas, acaba aumentando também o seu pedido muito mais do que seria necessário, para garantir não perder venda”, diz. Em geral, as lojas aumentaram seus estoques, não apenas de cimento, em 10%.

Para ele, os preços voltam a ter um comportamento mais racional em janeiro, quando acabam as obras de final de ano.

 

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