05/05/2009

IPI menor pode continuar

Fonte: Jornal da Tarde

Governo acena com a possibilidade de deixar o imposto reduzido por tempo indeterminado

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção, que vale até o fim de junho, pode ser prorrogada indefinidamente. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou ontem que a medida seria necessária em função do programa “”Minha Casa, Minha Vida””, que prevê a construção de 1 milhão de casas. Já a redução do IPI para automóveis e eletrodomésticos da linha branca pode estar com os dias contados.

A questão será discutida entre empresários e representantes do governo na próxima reunião do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), que deve ocorrer na semana que vem, em Brasília. “Os três meses de IPI reduzido para materiais de construção, considerando o programa “Minha Casa, Minha Vida”, não vão pegar nem o início das obras”, alerta Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). “É diferente do que ocorre com carros e eletrodomésticos da linha branca. Nesses casos, a operação é finalizada no início.”

O economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, afirma que a prorrogação vai, de fato, contribuir para o programa, mas relativiza o impacto no bolso do consumidor. “A redução de custos cartoriais efetivamente chega ao consumidor”, exemplifica. “Mas o IPI mais baixo passa da fábrica ao distribuidor e depois à construtora. É preciso verificar se ele chega ao consumidor final.”

Para quem vai reformar ou construir por conta própria, a vantagem do IPI reduzido é mais palpável. Fox lembra que reformas duram pelo menos seis meses. Se o imposto voltar a ser cobrado após três meses, o consumidor vai sentir isso no bolso. “Numa obra, há um ciclo de vida. É preciso levar em conta a construção da casa e a reforma.”

Marcelo Roffe, diretor de mercadorias e marketing da rede Telhanorte, também defende o imposto menor. “Na maior parte das vezes, as obras duram mais que os três meses previstos. Além disso, nesse tempo é difícil medir o impacto das medidas.”

De acordo com a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), a redução do IPI, que começou a valer em abril, fez as vendas crescerem 25% nas primeiras semanas. Mas o mercado pode se aquecer ainda mais até o fim do ano. “A compra de materiais de construção é planejada”, ressalta Jorge Gonçalves Filho, diretor geral da C&C, uma das maiores redes de materiais de construção do País. “As pessoas não compram por impulso como no caso de eletrodomésticos e veículos. Por isso é importante o IPI continuar baixo.”

CARROS GELADEIRAS – A redução das alíquotas de veículos e eletrodomésticos, porém, está ameaçada. Segundo o ministro Miguel Jorge, há sinais de recuperação na venda de carros, o que indicaria não ser mais necessário manter o IPI reduzido após junho.

No caso de geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos, a prorrogação dos benefícios, segundo o ministro, requer mais estudos. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afastou a possibilidade de o governo reduzir as alíquotas do imposto em outros setores da economia. “Não podemos continuar reduzindo o IPI de tudo”, afirmou. Segundo ele, as reduções determinadas até agora beneficiaram os setores mais atingidos pela crise.

CAUTELA – “Não podemos continuar reduzindo o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de tudo”, Guido Mantega, Ministro da Fazenda.

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