20/04/2008

Jaguaré, de industrial a novo bairro residencial

Fonte: O Estado de S. Paulo

Região desperta interesse de incorporadoras e se verticaliza

Patrícia Santos/AEZap o especialista em imóveisInvestimento – Empreendimento Villagio Allegro é o segundo da Goldfarb no bairro; empresa adquiriu novas áreas para levantar prédios

Na medida em que a cidade vai preenchendo seus poucos espaços ainda vazios, áreas antes esquecidas pelo mercado imobiliário vão ressurgindo. É o caso do Jaguaré, na zona oeste da cidade. Vizinho do Butantã, o antigo bairro industrial inicia um movimento de verticalização ainda tímido, mas que promete mudar o cenário da região nos próximos anos e tem alvo certo: o público de classe média.

De acordo com Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Pesquisas do Patrimônio (Embraesp), o bairro, de ocupação tradicionalmente mista, com prédios industriais, comerciais e residenciais, pelo fato de estar próximo à Cidade Universitária e Marginal do Rio Pinheiros, tem passado por um crescimento razoavelmente grande na última década. “O mercado está ocupando antigas áreas vazias ou ‘cascos’ de imóveis de indústrias que estão saindo da região.”

Segundo dados da empresa, de março de 2007 a fevereiro de 2008 foram lançadas no bairro 931 unidades, sendo a maioria de três dormitórios, com preço do metro quadrado médio de área útil de R$ 3.122. A chegada do mercado imobiliário ao bairro ainda é lenta. No ano de 2005, por exemplo, apenas um empreendimento foi lançado. Já em 2007, foram cinco.

O ano de 2008 já começou com um grande empreendimento da Tecnisa na região, em parceira com a Stuhberger. Outras grandes áreas já começam a ser adquiridas por incorporadoras já de olho no mercado que deve se aquecer no bairro. A Goldfarb, por exemplo, que já lançou empreendimentos na região, possui outros três terrenos onde pretende levantar seus condomínios.

“O Jaguaré começa a passar por processo talvez semelhante ao da Vila Leopoldina”, compara Pompéia. Este último bairro, também ocupado por indústrias, se transformou numa espécie de “vedete” do mercado imobiliário há dois anos. No Jaguaré, no entanto, esse processo deve ser mais lento. Para quem pretende investir, talvez seja a hora. Mas quem quer morar, ainda vai encontrar infra-estrutura incipiente.

O perfil das residências ali, sugere o executivo, é de empreendimentos de classe média e média-alta. Segundo ele, o bairro não deve ser ocupado pelos megaempreendimentos econômicos que prometem movimentar o mercado nos próximos anos. E nos primeiros lançamentos ocorridos isso já ficou claro. Das 931 unidades lançadas nos últimos 12 meses de pesquisa da Embraesp, 421 foram de três dormitórios, 392 possuem quatro quartos e 118 são de dois dormitórios.

Em 2002, era a vez da Vila Leopoldina se renovar

Com boas vias de acesso como a Marginal do Tietê e as Rodovias Anhangüera, Bandeirantes e Castelo Branco, a Vila Leopoldina, que nasceu a partir da atividade industrial, passou por um processo de mudança de vocação que a tornou residencial. A partir de 2002, começou uma forte verticalização que estourou em 2004, quando se tornou a “vedete” do mercado imobiliário. Com lançamentos de alto e médio padrões, a região desde então só tem visto os preços do metro se elevarem.

Além da Rua Carlos Weber, a mais famosa do bairro, outras vias como a Rua Guaipá e as Avenidas Imperatriz Leopoldina e Mofarrej atraíram investidores e compradores.

Um dos motivos que explicam a rápida transformação da Vila Leopoldina é a proximidade de bairros como Alto da Lapa e Alto de Pinheiros. Muito valorizadas, essas regiões colaboraram para formar o perfil do novo bairro que ali surgia. Da mesma forma, a proximidade do Butantã deve influenciar no perfil que se forma no Jaguaré.

Entre 2004 e 2005, considerado o período de gatilho do desenvolvimento da Vila Leopoldina, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), a região teve sete lançamentos residenciais com 747 apartamentos. O número, que foi bastante representativo para a época, é menor do que foi registrado no ano passado no Jaguaré, por exemplo (931).

O processo de desenvolvimento pelo qual a Vila Leopoldina passou e pelo qual o bairro do Jaguaré tende a passar é motivado principalmente pela saída de indústrias da capital. É algo que se repete em outros bairros.

Com a escassez de terrenos, bairros como Lapa e Barra Funda, também na zona oeste; Santo Amaro, Chácara Santo Antônio e Campo Belo, na zona sul; Mooca, Tatuapé e Belenzinho, na zona leste – são outros exemplos de áreas industriais em mudança.

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