09/03/2009

Jardim de Burle Marx em NY

Fonte: O Estado de S. Paulo

Exposição modernista é referência ao paisagista brasileiro, que faria 100 anos em 2009

Nova York – Quem espera encontrar uma espécie de floresta tropical com orquídeas pendendo das árvores na Exposição de Orquídeas: Modernismo Brasileiro, no Jardim Botânico de Nova York, será surpreendido. “Não preparamos cabanas com orquídeas”, disse Raymond Jungles, paisagista que projetou a mostra, que ficará aberta até 12 de abril. “O que temos aqui é o ousado modernismo brasileiro.”
 

Fotos: Katie Orlinksy Mosaico original de Burle Marx adorna exposição novaiorquina

Isso significa jardineiras verticais de inspiração cubista com 4 m de altura repletas de bromélias, enormes cestos cheios de imbés dos quais pendem orquídeas de cores fúcsia e roxa, uma parede com 800 orquídeas-mariposa e um chifre-de-veado do tamanho de um condor. Para o vice-presidente do jardim botânico, Todd Forrest, é uma “oportunidade para apresentar designs contemporâneos, um novo enfoque sobre plantas e jardins”. Ao que acrescenta: “Escolhemos o Brasil porque é lá que nossos cientistas fizeram boa parte de seu trabalho de preservação da biodiversidade. E tem uma cultura vibrante, cheia de energia, como Nova York”.

As formas modernistas e as plantas esculturais são uma referência a Roberto Burle Marx, artista, colecionador de plantas e paisagista brasileiro, morto em 1994, cujas ousadas noções de cor e forma e o uso da flora tropical inspiraram o projeto de Jungles. “Quando vi o trabalho dele pela primeira vez, sua liberdade, ousadia e clareza mudaram minha vida”, disse o paisagista, de 52 anos, que considera Burle Marx mentor e amigo.

Orquídeas e outras plantas tropicais dispostas seguindo o estilo do paisagista brasileiro

Depois de sair da Universidade da Flórida, em 1981, com um diploma em paisagismo, Jungles começou a viajar pelo Brasil com Burle Marx, recolhendo plantas e visitando jardins. Também passou pela propriedade do paisagista nos arredores do Rio de Janeiro, onde se encontra um dos maiores acervos de plantas do mundo.

Nascido em 1909, quando os brasileiros cultivavam rosas-de-chá híbridas em jardins de estilo francês, Burle Marx – cujo centenário de nascimento é razão de exposições no museu Paço Imperial , no Rio de Janeiro, até 17 de abril – exibiu plantas nativas de seu país em jardins minimalistas construídos para Le Corbusier e outros arquitetos modernistas.

O arquiteto Raymond Jungles, que projetou a mostra

O paisagista frequentemente reunia plantas da mesma espécie e coloração, cobrindo o chão com milhares de bromélias, por exemplo, mas reservava espaço para que certas plantas pudessem ser apreciadas por suas formas ou pelo impacto das texturas de suas folhas e casca. É assim que estão dispostas, na exposição de Nova York, orquídeas, palmeiras e outras plantas tropicais – em conjuntos ou separadas como verdadeiros tesouros.

Burle Marx também projetava mosaicos abstratos para seus jardins. Um deles, de propriedade de Jungles – composição de 2,4 x 5 metros formada por 1.325 azulejos de cerâmica pintada -, fica suspenso sobre o lago da estufa das palmeiras, cercado por orquídeas de cores variadas. “A alegria de viver de Burle Marx me influenciou mais do que tudo na vida”, disse Jungles. “Quero que esse espírito seja mantido nesta exposição.”  

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