29/09/2009

Jardins que sobem pelas paredes

Fonte: O Globo

Décadas atrás, as samambaias tinham espaço cativo na decoração da sala. Expostas em vasos de xaxim, ganharam fama de cafona e caíram no esquecimento. Hoje, espaços cada vez menores reacendem a necessidade de um contato mais próximo com o verde. A tendência está em trazer a natureza para dentro do ambiente, ou melhor, integrá-la à parede. O arquiteto Duda Porto lançou mão do recurso no espaço Fitness, criado para a mostra Casa Cor. Nele, um tapete verde de 3,5 metros por 1,8 metro cobre uma das paredes, ajudando, segundo Porto, na renovação do oxigênio:

“O verde dá uma sensação de aconchego, ajuda a compor um ambiente mais ameno, diferente do que é o usual nas academias.”

A parede, explica, foi coberta por um painel de compensado naval, que recebeu um selador para resistir à umidade. Em seguida, foram feitos 400 furos do tamanho da boca dos vasos escolhidos. Dessa forma, eles ficam prensados e não caem. A manutenção é simples: basta borrifar água uma vez por dia.

“Em áreas internas, deve-se usar iluminação de vapor metálico, que acelera a fotossíntese. O importante é dispor as lâmpadas de forma que a luz chegue de maneira homogênea”, completa Porto.

A arquiteta Gorete Colaço conta que chegou a perder algumas noites de sono idealizando a parede de musgos de sua Cozinha Gourmet. Mas o resultado, diz, está surpreendendo o público que visita o Casa Cor:

“Muitos acham que o verde é artificial, precisam tocar para sentir a textura. Fizemos um estudo para determinar a melhor forma de fixar os musgos à parede. E, por fim, optamos pela sementeira, que é uma espécie de bandeja de isopor com vários nichos. Eles recebem substrato, que alimentam o musgo ou qualquer outra planta”, explica.

Mas, ao contrário de algumas espécies, diz a arquiteta, o musgo não exige iluminação especial. A rega deve ser feita em dias alternados:

“No caso da cozinha, a ideia era criar uma parede com um aspecto envelhecido, que não fosse verde por igual. Por isso, alguns pontos receberam mais iluminação. De qualquer forma, a durabilidade é grande.”

Essa mesma parede, acrescenta a arquiteta, pode servir de base para um jardim vertical. É possível, por exemplo, misturar orquídeas ou colocar ganchos para abrigar vasos com flores. E até mesmo as injustiçadas samambaias, na opinião de Gorete, podem ser usadas: os galhos pendentes permitem que as folhas encubram os vasos, garantindo o efeito de quadro verde.

“As paredes vivas podem ser criadas tanto em áreas internas como externas, em dimensões variadas, de acordo com o local disponível. É uma nova proposta que está sendo muito bem aceita pelos clientes”, diz a arquiteta.

O ideal é optar por espécies que sobrevivem com pouco composto orgânico, como bromélias, orquídeas, samambaias e cactos. Em espaços maiores, pode-se optar por um sistema de irrigação automatizado, que dispensa a rega manual. E, ao invés de vasos, placas de fibra de coco, caixas ou cestos de xaxim podem ser integrados à parede.

2 Comentários

  1. OLÁ; GOSTEI DESSA REPORTAGEM DE JARDINS QUE SOBEM PELAS PAREDES.QUALQUER CASA PODE TER UM JARDIM DESSES??OBRIGADÃO; LEITOR; ROMERIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.