31/10/2008

Juro ao consumidor pode chegar a 230%

Fonte: Jornal da Tarde

Taxas cobradas da pessoa física continuam muito altas e mercado está mais restrito

Em meio à falta de crédito provocada pela crise financeira internacional, a manutenção da Selic (a taxa básica da economia) em 13,75%, definida pelo Conselho de Política Monetária (Copom) anteontem, não alivia em nada os altos juros cobrados do consumidor. Isso porque uma operação comum, como o crédito direto ao consumidor, tem porcentuais de 45,76% ao ano (3,19% por mês) desde setembro – no mês anterior, o índice estava em 44,75% (3,13% ao ano).

Segundo a Anedac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a Selic já vinha sendo elevada ao longo de 2008. Esse movimento se acentuou em 10 de agosto, quando o Copom anunciou um aumento da taxa de 13% para 13,75% – a última correção desse indicador.

Além disso, a Anefac também concluiu que o brasileiro já tem sentido os reflexos da crise financeira mundial. Apesar da Selic não ter sido alterada em outubro, há impactos da desaceleração da economia no Brasil, como a maior restrição por parte dos bancos e financeiras para liberar os empréstimos, por receio de um possível aumento nos níveis de inadimplência.

Segundo o vice-presidente da Anefac, Miguel de Oliveira, o cenário força o mercado a uma tendência de alta nos juros para pessoas físicas até o fim deste ano, o que pode atrapalhar as compras de Natal dos brasileiros. No entanto, esta semana, representantes da Fecomercio (Federação do Comércio de São Paulo) afirmaram que as vendas não devem sofrer alterações, pois o 13º salário dará mais confiança às pessoas – pelo menos até janeiro. Contudo, uma coisa já é certa para os especialistas: as operações terão parcelamentos menores e a liberação de compras a prazo seguirá critérios mais rígidos.

Longe dos crediários
De qualquer forma, os economistas William Eid Júnior e Luís Carlos Ewald orientam os consumidores a fugir dos crediários a todo custo. A pesquisa da Anefac mostra que essa preocupação tem sentido: no caso dos juros do comércio, os porcentuais subiram de 6,17% para 6,26% ao mês, entre agosto e setembro de 2008 (de 105,13% a 107,22% ao ano). “Não é hora de fazer dívidas. Se tiver dinheiro para comprar à vista, ótimo, senão o ideal é deixar para fazer compras mais caras quando a crise passar”, disse Ewald.

Eid Júnior, por sua vez, recomendou aos consumidores adquirirem somente o indispensável, não tomar crédito agora e, conseqüentemente, não assumir dívidas caras. “O ideal é sempre fazer as compras à vista.”

Veja as taxas
Juros do comércio: 107,22% ao ano
Cartão de crédito: 229,96% ao ano
Cheque especial: 148,48% ao ano
CDC Bancos: 45,76% ao ano
Empréstimo pessoal bancos: 90,12% ao ano
Empréstimo pessoal financeiras: 268,44% ao ano

Fonte: Anefac

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