29/04/2007

Juro baixo faz imóvel voltar a ser atrativo

Fonte: O Estado de S. Paulo

Rendimento do aluguel deve se equiparar ao da taxa Selic em breve

Jonne Roriz/AEZap o especialista em imóveisFilas -‘Nunca tivemos tantos clientes para alugar’, diz Roseli da Lello

O mercado de locação está passando por um período de falta de ofertas. Principalmente nas regiões centrais da cidade e perto do metrô é difícil encontrar unidades disponíveis. “Existe demanda maior que oferta na locação”, afirma José Roberto Federighi, vice-presidente de locação do Sindicato da Habitação (Secovi).

Isso ocorre, segundo ele, por reflexo da retração do investimento no mercado da habitação no passado. “Pararam os investimentos no setor há muitos anos”, afirma. Conforme o executivo, mesmo com a recente aplicação recorde de recursos no financiamento imobiliário – que tem motivado as pessoas a trocarem o aluguel pela prestação da casa própria – ainda não foi possível sentir reflexo sobre a oferta na locação.

O motivo pelo qual os investidores deixaram de olhar o mercado de locação como filão foi a alta taxa de juros. “Quando chegamos no nível de 28% ao ano, as pessoas preferiam deixar o dinheiro parado. À medida em que os juros caem, as pessoas vão tendo de se movimentar e investir em produção”, explica Federighi. Mas, de acordo com ele, a taxa de juros está num nível muito próximo de voltar a ser favorável ao investimento em imóveis. “O rendimento do aluguel é cerca de 10% ao ano, além da valorização do imóvel. Como hoje a Selic (taxa básica de juros) está em 12,5% e deve cair mais, em pouco tempo o aluguel pode voltar a compensar mais e ser atrativo”, afirma.

De qualquer forma, quem tem um imóvel para alugar, tem grande chances de encontrar um inquilino muito rapidamente. “Nunca tivemos tantos clientes para alugar”, afirma Roseli Hernandes, gerente de locação da imobiliária Lello. “Não estou conseguindo ter volume de imóveis para atender todo mundo. Temos filas de interessados”, afirma.

Nas áreas próximas a estações de metrô, então, a dificuldade em encontrar ofertas é maior ainda. “Alugo tudo”, diz. Por causa da falta de opções, as pessoas estão até aceitando locar unidades que não estão em perfeito estado. “Até aqueles que precisam de alguma reforma têm saída.” Conforme o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP), entre os bairros mais procurados estão Moema e Perdizes.

De acordo com ela, por mais que comprar a casa própria esteja mais fácil, São Paulo reúne diversos perfis de pessoas que preferem alugar.

“Tem muita gente separando e optando por morar sozinha, muitos estudantes, jovens ficando independentes e saindo de casa, executivos de outras cidades”, descreve. Para Roseli, esse tipo de cliente nunca vai deixar de existir. “Para comprar a pessoa tem que ter certeza de que quer morar naquele lugar, se fixar na região. E tem gente que não quer se prender a nada”, explica.

Pesquisa

Por causa da pouca oferta, mesmo com a grande demanda, o total de locação de imóveis cresceu pouco em março, segundo pesquisa do Creci-SP. O índice subiu apenas 0,53%. A maioria das novas locações (57,93%) ficou na faixa de até R$ 600. As maiores altas foram de casas de um dormitório em bairros de baixa renda.

Números
58% das locações foram negociadas na capital com o valor médio de R$ 600, segundo o Creci-SP.

0,53% foi o porcentual de crescimento registrado no setor durante o mês de março.

1 dormitório foi o segmento de imóveis que registrou as maiores altas no período da pesquisa.

 

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