06/06/2007

Juro menor torna imóvel boa opção

Fonte: O Estado de S. Paulo

Promessa de até 20% de ganho faz investidor comprar na planta, diz Luiz Paulo Pompéia, da Embraesp

Os imóveis estão retomando a competitividade no mercado de investimentos. Deixados em segundo plano durante a temporada de juros elevados, os imóveis voltaram a atrair a atenção dos investidores com a redução dos juros de aplicações financeiras, puxada pela contínua queda da taxa básica de juros.

No período de juros muito altos, aplicações conservadoras como os papéis do governo passaram a oferecer retorno muito superior à compra de um imóvel. Mas, com a mudança do cenário e a taxa Selic em persistente queda e projetada para 10,75% ao ano no fim de 2007 -, a conta começa a se voltar a favor do mercado imobiliário.

“”Os investidores entenderam que há boa oportunidade de comprar na planta para ter retorno maior que outros tipos de investimento””, diz o diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia. Em média, a valorização de um apartamento comprado no lançamento é de cerca de 20% quando fica pronto. O retorno é visto em aproximadamente dois anos – tempo de entrega dos empreendimentos.

Segundo Pompéia, a volta dos investidores ao mercado de imóveis tem sido notada há cerca de oito meses. “”Teve empreendimento que de 30% a 40% das vendas foram para investidores””, afirma. A preferência é por imóveis na faixa de R$ 300 mil a R$ 600 mil.

Outros fatores contribuem para aumentar a atratividade da aplicação. O risco de atraso ou de não-entrega do empreendimento ficou diluído após a criação de leis com dispositivos como patrimônio de afetação, que impede que os recursos destinados à construção de um prédio migrem para outros fins.

Crédito

Além disso, nunca houve antes uma demanda tão grande de pessoas capazes de arcar com a compra de um imóvel, o que movimenta o mercado e dá maior liquidez aos produtos. Com a oferta recorde de crédito imobiliário em 2006, da ordem de R$ 20 bilhões, e projeção inicial de R$ 17,4 bilhões em 2007, as classes média e baixa têm hoje acesso mais fácil à casa própria. “”A aposta é que, com o Brasil crescendo, se reduza o desemprego, aumente a renda e a capacidade de compra””, diz Pompéia.

Para os bancos, o setor habitacional tem se mostrado mais atraente. “”Desde a mudança da política dos bancos em relação às operações de crédito imobiliário, o financiamento habitacional tem sido tratado como negócio, não só como obrigação””, afirma Décio Tenerello, presidente da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Conforme a superintendente nacional de Habitação da Caixa Econômica Federal, Vera Viana, o aumento do interesse dos bancos privados no crédito imobiliário criou um ambiente de competitividade interessante. “”Cada queda na taxa de juros colabora para resgatar um público maior.”” Os juros menores do crédito tornaram possível que o valor da prestação chegasse perto do preço do aluguel.

Entre janeiro e abril, o volume de operações de crédito imobiliário por meio dos agentes financeiros do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) totalizou R$ 4,09 bilhões – um crescimento de 71,31% em relação ao mesmo período de 2006. Já a aplicação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi de R$ 3,01 bilhões entre 1º de janeiro e 28 de maio de 2007 – 20% mais que no mesmo período do ano passado.

Esse cenário tem estimulado um aumento significativo do número de lançamentos e de oportunidades de investimento. Em São Paulo, no primeiro quadrimestre de 2007, o número de condomínios residenciais oferecidos na planta ao mercado mais do que dobrou. Subiu de 54 para 122, com destaque para os de dois dormitórios, segundo dados da Embraesp.

Os números indicam que as construtoras estão se preparando para atender ao segmento de imóveis de R$ 70 mil a R$ 200 mil – faixa cujo crescimento é diretamente estimulado pelo crédito. Para corresponder ao aumento da demanda, construtoras foram captar recursos no mercado de capitais.

 

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