27/02/2009

Juros cobrados de pessoas físicas caem

Fonte: O Estado de S. Paulo

Banco do Brasil e Caixa puxaram a redução da média. Crédito em bancos privados continua caro

Depois de disparar no fim do ano passado por conta da crise econômica, os juros cobrados de pessoas físicas registraram queda em janeiro. A taxa média praticada pelos bancos chegou a 51,2% ao ano, o que representa uma redução de 1,8 ponto porcentual em relação a dezembro. O spread bancário – diferença entre os juros da captação e os efetivamente cobrados do consumidor – também caiu.

Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que os juros do cheque especial, do crédito pessoal, da aquisição de veículos e de outros bens estão mais baixos (confira ao lado). Para alguns analistas, a queda é resultado do esforço do governo federal para reduzir as taxas dos bancos públicos – principalmente Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

“Os bancos privados subiram as taxas de juros, mas os públicos reduziram”, afirma Ricardo Almeida, professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) e do Ibmec São Paulo. Na média monitorada pelo Banco Central, houve queda.

“Os bancos públicos estão aumentando a oferta de crédito para combater a crise e, para cumprir as metas, eles precisam reduzir os juros”, completa Almeida.

Dados da Fundação Procon de São Paulo mostram que, de fato, Caixa e BB vêm reduzindo os juros, enquanto os demais bancos de varejo mantêm as taxas altas. Em agosto, antes da crise, o BB cobrava 5,99% ao mês em operações de empréstimo pessoal. Em janeiro, a taxa estava em 4,99%.

O Itaú, no mesmo período, aumentou o custo da operação de 6,64% para 7,09% ao mês. O Santander, de 5,90% para 6,69%.

Apesar dos juros e do spread caírem na média, a inadimplência aumenta. Em janeiro, o atraso superior a 90 dias chegou a 8,3% entre as pessoas físicas. Em dezembro, o índice foi de 8,0%.

Para o economista Frederico Araújo Turolla, da Escola Superior de Propaganda e Marketing, a inadimplência tende a se acentuar em fevereiro, com o desemprego. Mas os juros devem continuar a cair. “Em janeiro houve uma recuperação do “”susto”” de 2008. Fevereiro terá dados positivos, mas nada tão significativo.”

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