10/10/2008

Juros da casa própria já estão mais altos nos bancos

Fonte: Jornal da Tarde

Itaú, Bradesco e Unibanco elevaram as taxas dos financiamentos nas últimas duas semanas, conseqüência da crise internacional, que já tem reflexos no Brasil. Facilidades na liberação do crédito também têm sido reduzidas

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisMercado de imóveis tende a sofrer restrições que já foram sentidas no setor de automóveis

O impacto da crise financeira internacional e da escassez de crédito que tomou conta do mercado já chegou ao bolso do brasileiro que quer comprar a casa própria. Os bancos começaram a elevar as taxas de juros e a cortar facilidades oferecidas nos financiamentos.

No Bradesco, a taxa de juros anual para operações com recursos livres (sem dinheiro do FGTS ou da poupança)de até R$ 120 mil foi elevada de 9% para 10,5% ao ano. O Itaú aumentou seu teto de 9% para 12% ao ano, nesta semana. O Unibanco decidiu subir o seu limite ontem de 11% para 12% ao ano.

Segundo Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o mercado de imóveis tende a sofrer restrições que já foram sentidas no setor de automóveis. Como resultado, alguns “benefícios” serão suspensos. “Um exemplo são as taxa de juros diferenciadas nos primeiros três anos e o financiamento de 100% do imóvel. Além disso, os bancos terão cuidados adicionais na análise de renda e já levam uma semana para avaliarem crédito”, diz.

Com isso, Oliveira aconselha quem está pensando em comprar um imóvel esperar. “Temos de lembrar que, caso a taxa atual seja a do contrato, irá valer por 20 anos. Em um financiamento de R$ 100 mil , são 10 mil a mais”, alerta.

O economista recomenda a compra, no entanto, apenas para aqueles que estão na iminência de fechar um contrato e tem urgência do bem. Isso em função do cenário incerto que se desenha. “Não se sabe quanto a crise irá durar.”

José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP, entidade que reúne os corretores de seguro, é mais otimista e encara o aumento das taxas como um dispositivo preventivo e não vê restrições na análise de crédito. Porém, concorda que algumas facilidades tendem a desaparecer.

Já o diretor de economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, acredita que o impacto dessas medidas não seja expressivo, pois o setor é regulamentado e tem teto máximo para as taxas. “A concorrência fez as instituições criarem atrativos para clientes. O que estão fazendo agora é apenas voltar ao patamar de um ano atrás”, afirma.

Precaução
Há quem já esteja assustado com a crise. É o caso do analista de sistemas Vinicius Scheidegger, 26 anos. Ele começou a procurar um imóvel há quatro meses e decidiu acelerar o fechamento do negócio antes que os juros subam mais. “Vou financiar um apartamento de até R$ 130 mil com taxa de 7,6% ao ano. Tenho que fechar logo”, diz. Ele aguarda a aprovação do crédito.

Simulação
Com taxa anterior
Prazo de financiamento: 240 meses (20 anos)
Valor do imóvel: R$ 120 mil
Taxa de juros: 9% ao ano
Prestação: R$ 1.061,49
Valor total a ser pago: R$ 254.757,60

Com nova taxa
Prazo de financiamento: 240 meses (20 anos)
Valor do imóvel: R$ 120 mil
Taxa de juros: 10,5%
Prestação: R$ 1.169,08
Valor total a ser pago: R$ 280.579,20

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