20/07/2008

Juros da casa própria já sobem

Fonte: O Globo

Com inflação em alta, custo do crédito imobiliário fica maior em planos com taxas prefixadas

O crédito imobiliário para a baixa renda não deve ser afetado pelo cenário de alta de inflação e da Selic, os juros básicos da economia. Enquanto houver subsídio governamental para esse público, dizem os especialistas, as condições de financiamento serão mantidas. Já a classe média tende a sofrer o impacto. O custo efetivo do financiamento, que teve queda de até três pontos percentuais nos últimos três anos, pode voltar a subir. Pouco, na avaliação dos analistas, mas pode. Alguns bancos já começam, inclusive, a alterar as taxas dos planos com parcelas fixas, em que não há correção de valores ao longo do tempo por um índice como a TR (Taxa Referencial).

— Se pensarmos num cenário inflacionário, os financiamentos com taxas prefixadas são atraentes neste momento. Mas essas linhas são as mais sensíveis à alta dos juros básicos da economia, e os bancos já começam a ajustá-las — diz Osmar Roncolato Pinho, diretor de Crédito Imobiliário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Em dois bancos, as taxas já mudaram

No Bradesco, os juros do plano “Prestação fixa”, dentro das regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), subiram: de 12,5%, em maio, para 13%, hoje. O Banco Real, que oferecia modalidade de juros fixos de 13%, agora informa, no site, que tem “taxa sob consulta”, segundo o valor do imóvel. Mas as mudanças, ainda localizadas, demonstram, segundo analistas, que os bancos estão dispostos a aproveitar a forte demanda por crédito imobiliário — que bateu recorde de 20 anos em maio.

Na modalidade de juros pós-fixados, mesmo que as tarifas reais fiquem inalteradas, a TR, que corrige as prestações do financiamento habitacional, sofre o impacto da alta da Selic. Ou seja, o crédito fica, de qualquer forma, mais caro.

— A TR está, há 12 meses, no patamar de 1,5% ao ano. Se a Selic chegar a 14,25%, a taxa subirá para uns 1,85%, 1,90%. Entretanto, no crédito imobiliário, que é uma operação de longo prazo, essa alta não seria expressiva: quando os juros voltarem a cair, a TR vai junto — afirma o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira.

Avaliando o canário  

Tendências: Quem pretende comprar, a curto prazo, um imóvel via financiamento imobiliário deve levar em consideração que até o fim do ano as taxas podem estar mais altas. De qualquer forma, vale pesquisar bancos e modalidades de financiamento — no cenário de inflação alta, o crédito prefixado, que tem um custo maior do que o pós-fixado — é mais atraente. Mas, lembram analistas, a expectativa é de queda da inflação mais à frente.

Faixas de renda: O aumento da Selic deve afetar principalmente os empréstimos para a classe média. E os juros tendem a subir mais no crédito para imóveis com preço de venda acima de R$350 mil — concedido com recursos dos próprios bancos. A baixa renda, que tem juros subsidiados, não será afetada.
 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.