15/09/2009

Juros para consumidor são os mais baixos desde 1995

Fonte: Jornal da Tarde

Em agosto, a taxa média, que inclui todas as linhas de crédito, ficou em 7,08% ao mês. Queda está associada à redução da Selic – índice básico de juros – à oferta maior de crédito e ao bom momento da economia

Os juros médios mensais cobrados nas linhas de crédito para pessoas físicas atingiram o menor nível em 14 anos. A informação é da pesquisa mensal de juros da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) com dados até agosto, divulgada ontem. Segundo o levantamento, a taxa caiu para 7,08%, a menor desde o início da apuração, em janeiro de1995.

Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac atribui a queda a uma combinação de fatores. De acordo com ele, a economia vive um bom momento, com a retomada do emprego e da produção. Com mais dinheiro em caixa e diante da queda da taxa básica de juros, a Selic, os bancos optam por ampliar o crédito, cujo retorno é melhor do que o obtido nas operações de tesouraria, como são denominadas as aplicações em títulos do governo ou de outras instituições.

Para Oliveira, os bancos vão intensificar a competição pelos consumidores, o que deverá traduzir-se em novas baixas, ainda que a Selic seja mantida nos atuais 8,75% ao ano. “Antes as quedas ocorriam, quando muito, nas baixas da Selic. Agora acontecerão pela concorrência”, acredita.

O executivo da Anefac também lembra que o volume de crédito na economia aumentou. De acordo com os dados mais recentes do Banco Central (BC), o valor chegou a R$ 1,3 trilhão em julho, o equivalente a 45% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entretanto, há também uma mudança na postura do consumidor que busca crédito, segundo Carlos Eduardo Soares de Oliveira Junior, integrante do Conselho Regional de Economia da São Paulo (Corecon-SP). “Muitas pessoas têm migrado para os bancos que oferecem taxas de juros menores. Antes, as pessoas buscavam crédito conforme o tamanho da parcela. Agora, querem saber quanto vão pagar no final e qual a taxa de juros para fechar o negócio”, diz.

Rubens Sardemberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), reitera que a expectativa com relação ao futuro da economia melhorou, o que dá uma maior segurança às instituições financeiras. Ele lembra que a inadimplência também dá sinais de estabilidade. De acordo com números do BC, referentes a julho, o índice médio de inadimplência das pessoas físicas, que considera atrasos acima de 90 dias, marcou 8,6% pelo terceiro mês consecutivo. “A expectativa é de que caia”, diz.

O professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), Keyler Carvalho Rocha, acredita que os juros devam continuar em queda nos próximos meses. “Até o final do ano, os níveis de crédito devem melhorar ainda mais”, comenta.

Para Luiz Jurandir Simões, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), a baixa dos juros é mais uma oportunidade para o consumidor pechinchar.

NA PONTA – Para os consumidores, os juros ainda continuam altos e a preferência é pelas compras à vista, para evitar os juros. “Por mais que as parcelas estejam pequenas e os juros em queda, financiar ainda sai caro, pois se paga muito mais. Eu prefiro guardar o dinheiro”, diz o supervisor de ambulância Douglas Egídio da Silva, 39 anos.

O comerciante Lúcio Cunha, 45 anos, não sentiu a queda dos juros. “Eu não acredito em juros mais baixos. Prefiro não comprar nada que precise pagar juros ou fazer empréstimos”, afirma.

Já a aposentada Néia Barreto, 59 anos, diz que parcela apenas quando não há juros. “Só compro em, no máximo, três vezes. Não gosto de usar o cartão de crédito porque não quero cair nos juros do rotativo e o consignado também não é barato”, comenta.

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