20/05/2009

Juros sobem no Banco do Brasil

Fonte: Jornal da Tarde

Alta das taxas ocorreu no período que coincide com início da gestão novo presidente da instituição

Dados do Banco Central mostram que a média dos juros cobrados pelo Banco do Brasil (BB) subiu nos últimos dias, período que coincide com o início da gestão de Aldemir Bendine à frente da instituição. O assunto foi tema de reunião ontem de toda a diretoria do banco com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ao deixar a reunião, Mantega não fez críticas ao BB. Ao contrário, elogiou o trabalho da nova diretoria, mas disse que é possível fazer mais.

No encontro, Bendine disse ao ministro que a alta da taxa reflete o maior risco das operações feitas pelo BB, um perfil diferente dos tomadores de crédito e o alongamento dos prazos dos empréstimos. Bendine tomou posse no último dia 23 de abril na presidência do BB em substituição a Antonio Lima Neto.

Na ocasião, fontes do Ministério da Fazenda disseram que a troca atendia ao objetivo do governo de forçar a queda dos juros no BB, o que não estava ocorrendo com a velocidade desejada na gestão de Lima Neto.

Segundo o levantamento do BC, a média dos juros cobrados pelo BB no financiamento da aquisição de bens, por exemplo, ficou em 2,46% ao ano entre os dias 29 de abril e 6 de maio. Antes da posse de Bendine, entre os dias 9 e 16 de abril, a taxa girava em torno de 2,16%. No crédito pessoal, a taxa também subiu, de 2,35% para 2,53% nesse período.

Bendine explicou ao ministro que o maior risco dos empréstimos praticados pelo banco pode se explicado pela conjuntura econômica, que gera maior incerteza nas operações bancárias.

Houve, ainda, mudança do perfil dos clientes do BB, com a entrada de novos tomadores de crédito que têm nível de risco elevado se comparado à média anterior. Ao mesmo tempo, houve aumento dos prazos dos empréstimos, o que eleva o risco da operação.

Juntos, segundo Bendine, esses três fatores fizeram com que a taxa ponderada pelo volume de operações feitas pela instituição aumentasse em relação ao observado no início de abril.

Apesar de todos esses fatores estarem relacionados ao maior risco dos empréstimos, a diretoria do BB rechaça a avaliação de que a alta do juro ao consumidor seja resultado do esforço que a instituição tem feito para conceder mais crédito em tempos de crise.

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