24/02/2008

Lançamento gigante chega à Barra Funda

Fonte: O Estado de S. Paulo

Condomínio com 27 prédios e 2.174 unidades será construído em terreno de 63 mil metros quadrados

Patrícia Santos/AEZap o especialista em imóveisPotencial – “A Barra Funda era uma região muito questionada, hoje é estudada”, diz diretor da Klabin

A região da Barra Funda, zona oeste da cidade, vai receber um empreendimento gigante. Com 27 torres, 2.174 unidades, o conjunto de condomínios da construtora Bueno Netto que será lançado ainda este mês deve contribuir para uma mudança na dinâmica do bairro, que há alguns anos já é visto como uma das promessas do mercado imobiliário de São Paulo.

O terreno de 63 mil metros quadrados, que estava vazio há anos, está numa área cuja legislação municipal trata como Zona Especial de Interesse Social (Zeis) e, portanto, possui uma série de restrições construtivas que apenas permitem empreendimentos voltados a famílias de classes média e baixa.

Por causa disso, demorou até que a construtora encontrasse uma fórmula para tornar o empreendimento viável. “A gente começou a estudar esse terreno faz tempo, mas a conta nunca parava de pé”, afirma o diretor de novos negócios da Bueno Netto, Guilherme Bueno Netto.

Para encaixar o projeto nas exigências da Prefeitura, serão criados entre 10 e 12 subcondomínios com no máximo 300 unidades, sendo 40% de habitações de interesse social, de dois dormitórios com 45 m²; 40% de habitação de mercado popular, três dormitórios com até 70 m²; e outros 20% de uso livre, que terão 100 m² e quatro dormitórios. “Nosso projeto é construir um novo bairro”, diz Bueno Netto. As unidades custarão de R$ 70 mil a R$ 270 mil.

Segundo o executivo, o que vai permitir que o projeto saia do papel é a onda de crédito imobiliário que ampliou o acesso à casa própria. “Essa conta começou a fechar com melhora do mercado, a demanda de pessoas mais jovens e a maior facilidade de financiamento para os compradores.”

O empreendimento marca uma mudança estratégica da empresa que ao longo dos seus 30 anos no mercado trabalhou principalmente com um público de padrão mais alto e agora se volta ao mercado popular. “Sem dúvida o mercado de baixa renda veio para ficar; se não tiver nenhum susto econômico grande, nenhuma ruptura do modelo atual, esse mercado só vai continuar crescendo.”

Para Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), o empreendimento gigante voltado ao perfil econômico não tornará a Barra Funda um bairro de perfil popular. Segundo ele, além dos condomínios já lançados na região, existem outros em fase de aprovação ao longo da Avenida Marquês de São Vicente em grandes áreas ainda vazias ou em terrenos de indústrias antigas. “Esses novos empreendimentos devem se situar em um padrão acima e a tendência é ir aumentando.”

De qualquer forma, o fato de ser econômico não significa que a qualidade vá ser colocada em segundo plano. “Pode ser popular com qualidade boa, bonito, moderno. Existem projetos muito bons inspirados em empreendimentos mexicanos”, cita Pompéia.

Transformação

A Barra Funda possui vários setores ainda muito deteriorados ao longo da estrada de ferro, mas nos próximos dez anos deve estar completamente transformada. “Há ainda armazéns do começo do século passado, com idade mínima de 60 anos. A tendência é tudo isso cair e virar prédio residencial”, prevê Pompéia. Uma parte já começou a passar por mudanças visíveis. “Há vários lançamentos na região e você já pode até ver um grande conjunto residencial pronto.”

O empreendimento citado é o Cores da Barra, lançado pela Klabin Segall, em 2000. “Resolvemos investir ali antevendo a valorização do bairro, tendo em vista as facilidades de transporte e o potencial de valorização”, explica Paulo Porto, diretor de vendas e marketing da empresa.

Com 400 unidades de três dormitórios e cerca de 93 m², o condomínio foi o primeiro de uma série de empreendimentos lançados na região pela empresa. “Quem chegou antes teve chance grande de fazer um bom negócio. Os proprietários tiveram valorização no preço de 70% a 80%”, calcula.

Hoje, o olhar sobre o bairro já mudou: “A Barra Funda era uma região muito questionada naquela oportunidade, hoje é muito estudada.” Após a junção com a construtora Setin, o grupo ainda lançou em outubro do ano passado um empreendimento ao lado do Terminal Rodoviário, o Liv Barra Funda, com unidades de 96 m² a 132 m², e em dezembro o Celebration, perto do Playcenter, com apartamentos de 126 m² a 162 m².

O preço do metro médio quadrado no bairro no ano de 2007, de acordo com dados da Embraesp, foi de R$ 2.916. A tendência é aumentar à medida em que os terrenos forem ficando escassos e os imóveis mais valorizados.

 

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