03/02/2006

Livro conta origens do bairro

Fonte: O Estado de S. Paulo

Casal de historiadores fala de um Campo Belo que foi construído por imigrantes alemães

O casal de historiadores Sérgio Weber, de 74 anos, e Maria Aparecida Weber, de 68, resolveu transformar em livro seu amor pelo Campo Belo, onde mora há mais de 40 anos. “Campo Belo representa a minha própria existência”, diz Weber.

Maria Aparecida afirma que a pesquisa para fazer o livro começou há 30 anos. Já entrevistou mais de 190 moradores. “Queremos resgatar a memória dos construtores anônimos do bairro. As pessoas, hoje em dia, só falam das importantes construtoras que estão aqui.”

Ela conta que a origem do Campo Belo está ligada ao bairro do Brooklin, do qual foi desmembrado em 1921. Além disso, sua formação tem laços com a história da imigração alemã. “Na década de 40, se a pessoa fosse para a Freguesia do Ó, na zona norte, parecia que estava em Portugal. Já aqui, em Campo Belo, era como se estivesse no interior da Alemanha.”

Weber diz que os alemães construíram suas casas em áreas grandes. “Geralmente, os europeus gostam de casa térreas com vegetação em volta. Foi justamente esses grandes terrenos que atraíram as incorporadoras para cá e aí começou a verticalização do bairro.”

Os historiadores conseguiram registros do interior das casas habitadas pelos alemães. “Canecas de chope espalhadas pelos móveis e armários pesados, as toalhas bordadas, tudo no estilo alemão.”

Os outros 

Depois deles, outros grupos estrangeiros vieram se instalar no bairro. Portugueses, italianos e espanhóis começaram a ocupar a região. Exemplo disso foi a construção da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. A torre da igreja ainda é um ícone de Campo Belo. “Ela marca a chegada do catolicismo, que antes era um bairro luterano”, explica Maria Aparecida.

Além de lembrar do passado do bairro, o casal mantém os olhos atentos para os problemas atuais e garante que os próprios moradores produzem o stress. “O bairro tem toda a infra-estrutura necessária. Mas, na minha opinião, falta um pouco de respeito das pessoas, que incomodam com tanto barulho, trânsito, cachorros que sujam as ruas e por aí vai”, diz Weber. “A qualidade de vida aqui diminui. O bairro tinha cheiro dos perfumes das árvores. A poluição acabou um pouco com essa magia.”
 

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