30/10/2006

‘Locação de imóveis: esse mercado pode melhorar’

Fonte: O Estado de S. Paulo

Criatividade é a palavra de ordem para imobiliárias e corretores

Jonne Roriz/AEZap o especialista em imóveisMobília – Oferecer apartamento ou casa mobiliados deve fazer parte da estratégia de trabalho para atender estudantes, separados, entre outros

O otimismo com a retomada da atividade econômica no segundo semestre do ano passado deu algum ânimo ao mercado imobiliário, como um todo. Com o novo quadro da economia em 2005, o otimismo pode não ser mais o mesmo, mas o segmento de locação de imóveis residenciais e comerciais ainda apresenta tendência de alta. Segundo pesquisa da Hubert Imóveis, no acumulado dos últimos 12 meses, o valor dos aluguéis de apartamentos de dois dormitórios, historicamente os mais procurados, conseguiu acompanhar a inflação.

A evolução de abril do ano passado para março de 2005 foi de 11,24%. A inflação segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) foi de 11,12%. A valorização dos aluguéis comerciais foi ainda mais alta, quase sempre acima ou muito perto do IGPM registrado no período.

A locação de imóveis precisa ser entendida como uma importante forma de promover a moradia num quadro de grave déficit habitacional. No Brasil, esse déficit ultrapassa sete milhões de habitações. A nova lei do Inquilinato – a qual tivemos a honra de ajudar a elaborar – restaurou a denúncia vazia para os imóveis residenciais e reconheceu a importância daquele que investe em imóvel para locação.

Este investidor possui renda per capita, em 90% dos casos, de 1 a 2 imóveis.

Não é um latifundiário urbano e o poder público deveria ser grato pelo que ele faz, ao promover a sua própria fonte de renda e aposentadoria.

A ênfase do mercado imobiliário brasileiro sempre foi para a casa própria. O aluguel fica em segundo plano. Concorre ainda com uma enxurrada de planos para o financiamento do imóvel próprio.

Talvez o poder público devesse considerar o aluguel igualmente importante e neutralizar, em parte, a cultura deste como mera despesa a fundo perdido.

Criatividade

Apesar da atual valorização dos aluguéis, esse mercado ainda está aquém do seu potencial. Quem é corretor de imóveis sabe quantos contratos de locação se perdem porque os candidatos simplesmente não têm como provar renda suficiente para locar os imóveis. A renda existe mas não pode ser comprovada. E a locação não pode ser feita. Nós corretores, não podemos competir com inimigo tão forte como a economia informal. Temos de procurar um caminho dentro da formalidade.

Temos de criar novos produtos para novos públicos. As imobiliárias devem estar abertas para soluções rápidas como seguro-fiança e facilidades para que o candidato à locação possa adquirir equipamentos e mesmo itens de decoração.

A locação do imóvel vazio ainda é o carro-chefe nos contratos. Mas é necessário pensar em outras opções. É cada vez mais comum a demanda em relação ao imóvel mobiliado por parte de estudantes, executivos recém-chegados ou em trânsito, descasados e outros clientes que desejam evitar a estada em hotéis, a locação tradicional e a imobilização em móveis e utensílios domésticos.

Cadastrar fornecedores capazes de atender a uma demanda urgente de equipamento e decoração com preço competitivo ou mesmo com descontos, pode ser de muita ajuda para as imobiliárias.

Assim como para os condomínios, as construtoras precisam pensar na venda e na locação desde a fase do projeto. É muito mais do que colocar ou tirar mais uma vaga de garagem. É pensar na melhor posição das guaritas, na altura dos muros e nos equipamentos de segurança. Na área interna dos imóveis, na melhor posição dos tanques, da máquina de lavar e secar, ou, num futuro próximo, em máquinas multifunção.

Equipe

O corretor continua e sempre será a mola central desse mercado. Nada pode substituí-lo. Essa tendência está levando algumas imobiliárias a criarem departamentos próprios, com corretores especializados e uma rede de fornecedores conveniada, para que os clientes tenham facilidades e preço competitivo, ao alugarem imóveis com esse plus.

A empresa encarregada da locação de imóveis equipados ou mobiliados está envolvida diretamente, também como consultora, na aquisição de equipamentos, aproveitamento de espaços e decoração.

Equipar, mobiliar ou decorar imóveis são práticas que podem ser adotadas antes ou após a locação. O esforço destinado a tornar mais sofisticada a locação está focado na própria equipe de corretores, atuando também como consultores.

Nas grandes capitais internacionais, o mercado de locação de imóveis é muito elástico e diversificado. O Brasil vai ter de continuar importando idéias já consolidadas lá fora, e descobrindo novos caminhos aqui mesmo.

Se o segmento de locação for incrementado com novas idéias e alternativas, os investidores vão, novamente, interessar-se em adquirir imóvel destinado a renda, o que seria bom para toda a cadeia produtiva do mercado imobiliário.

Mas o investidor deve segmentar seus investimentos. O aluguel de certo tipo de imóvel residencial pode render até 1,2% ao mês. Para imóveis comerciais, a renda mensal pode chegar a 1,5%.

Dentro ou fora dos condomínios, para moradia ou para aluguel, podemos dizer, sem medo de errar, que o imóvel continuará sendo a melhor e mais socialmente correta aplicação de capital.

* Hubert Gebara é vice-presidente do Secovi-SP e diretor da Hubert Imóveis

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