16/03/2010

Locação é alternativa pouco procurada no Brasil

Fonte: O Globo
Mercado deste setor ainda tem muito a crescer se comparado ao de outros países (Foto: Divulgação)
Mercado deste setor ainda tem muito a crescer se comparado ao de outros países (Foto: Divulgação)

Rio de Janeiro – Apesar de o investimento em imóveis para locação no Brasil estar em expansão, o mercado deste setor ainda tem muito a crescer se comparado ao de outros países. Num ranking que mede o percentual de imóveis alugados em relação ao total de ocupados, o Brasil está na 18ª posição entre 20 países, com 16,56% das unidades (9,5 milhões), à frente somente da Grécia (16%) e Espanha (15%). Nos primeiros lugares estão a Alemanha, com 57%, a Holanda, com 47% e a Áustria, com 46%. Os dados são do Ministério da Fazenda.

Segundo especialistas, a falta de incentivo do governo no mercado de locações é um dos fatores que contribui para a baixa procura por imóveis no Brasil em comparação com outros países.

“A demanda por imóveis para alugar está aumentando, mas ainda há pouca oferta. No Brasil, já houve momentos em que o percentual de apartamentos para alugar num prédio chegava a 30%. Mas, nas últimas décadas, esse percentual caiu. E, para aumentar o número de ofertas, é preciso que haja uma redução da taxação sobre a locação do imóvel no imposto de renda, que é de 27,5%. Com estímulos como esse, estaríamos contribuindo para a redução do deficit habitacional, que hoje atinge os 7,2 milhões”, diz Antônio Paulo Monnerat, vice-presidente de locações do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio).

O gerente geral de imóveis da administradora Apsa, Jean Carvalho, faz coro com o colega e acrescenta que a questão cultural é um fator determinante na opção pela compra de uma moradia em detrimento do aluguel.

“O sonho do brasileiro é ter a casa própria. Está enraizado na nossa cultura. Além disso, os incentivos governamentais estão facilitando o financiamento imobiliário, inclusive às classes que não tinham acesso ao crédito”, explica.

No Brasil, o estado campeão em número de imóveis alugados é o Distrito Federal, segundo levantamento do IBGE, com 28,25%, taxa que supera o índice italiano (25%) e fica apenas um pouco abaixo do belga (29%). Em seguida vêm Goiás, estado onde 23,43% dos imóveis residenciais são alugados, São Paulo (20,02%), Mato Grosso do Sul (19,14%) e Rio de Janeiro (17,60%).

LOCAÇÃO É BOA ALTERNATIVA PARA INVESTIMENTO – Apesar de o aluguel não atrair tanto os cariocas, os especialistas afirmam que o mercado de locações no Rio está voltando a ficar aquecido. Áreas antes degradadas, como a Zona Portuária, no Centro do Rio, começam a passar por um processo de revitalização, o que permitirá a inclusão de um maior número de imóveis no mercado.

“Não dá para ficar nessa limitação de só pensar em casa própria como moradia. A locação é uma ótima saída para quem precisa mudar de bairro para ficar mais próximo do trabalho ou quer economizar para comprar um apartamento em uma região mais nobre. Há uma tendência de que entrem mais imóveis no mercado de locações, mas, por enquanto, a demanda ainda é bem maior que a oferta”, avalia o vice-presidente de locações do Secovi Rio.

Monnerat aponta, inclusive, a locação como uma boa alternativa de investimento. Com o baixo rendimento da poupança, perto de 0,50% ao mês, e dos fundos de renda fixa, que compram títulos públicos remunerados pela taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,75% ao ano, a busca por imóveis torna-se mais atraente. Descontadas as taxas de administração destes fundos, que chegam a 4% ao ano para aplicações de baixos valores, a remuneração líquida desses fundos (ainda sem descontar o Imposto de Renda) fica em torno de 0,40% ao mês, menos do que rendem alguns aluguéis.

“Num momento em que as aplicações financeiras foram afetadas pela crise mundial e com a redução do mercado de capitais, a busca pela aplicação em imóveis se torna bem mais segura”, afirma.

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