03/11/2008

Lojas dizem que preços não subirão

Fonte: Jornal da Tarde

Redes de materiais para construção afirmam que trabalham para segurar os repasses da indústria

As lojas de material de construção garantem que não haverá aumento de preços nos próximos meses, por conta da demanda aquecida, e que trabalham para segurar os aumentos repassados pela indústria até o momento. No entanto, a crise do setor financeiro internacional deve afetar a área, pois algumas grandes redes acreditam que as vendas relacionadas com novas obras devem cair pelo menos 5% no próximo ano, mas não apostam em uma queda geral de custo total da obra.

“Não haverá pressão de preços em 2009. Isso deverá elevar o número de promoções pontuais para que as lojas continuem a vender no mesmo ritmo”, afirma Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco. “Mas os efeitos da queda das commodities só serão sentidos daqui a três meses”, avalia.

A entidade, que esperava um crescimento do setor de 8,5% em janeiro, já prevê fechar o ano com 10,5%. Para Conz, a crise poderá desacelerar as vendas do varejo somente no próximo ano, mas não acredita em queda e retração de preços. Um das redes que afirmam estar pressionando fornecedores para não haver mais reajustes é a Telhanorte. “Há um esforço para não haver mais elevação de preço. Estamos tentando segurar os custos para que o planejamento do consumidor se mantenha o mesmo”, afirma Fernando de Castro, diretor-geral da empresa.

Quanto à crise, Castro avalia que o período de instabilidade do setor financeiro no País seja passageiro, e que, por isso, a empresa resolveu manter as mesmas taxas de juros dos financiamentos. “Estamos tentando dar tranqüilidade para os clientes continuarem a consumir, pois o Brasil tem uma economia forte e tem condições de passar por esse período sem grandes problemas.”

No entanto, para as vendas relacionadas a novas obras, Castro prevê uma queda de 5% nos volume de negócios. A expectativa é que as reformas e obras que já foram iniciadas não parem.

Para a Dicico, a ordem também é segurar os preços. “Estamos com grande estoque e, se precisar, não vamos comprar até que os preços caiam. Se vai haver uma deflação de demanda, não há porque ficar mais caro”, diz Dimitrios Markakis, presidente da rede.

A Dicico também acredita em um esfriamento do setor nos próximos meses, que poderá diminuir a mão-de-obra empregada, causando o barateamento desse custo. Contudo, Markakis avalia que as commodities não terão efeito sobre o preço dos produtos enquanto não houver estabilidade do dólar e baixa do mesmo.

“Na prática, acho que a crise vai afetar pouco o mercado de material de construção. No entanto, para as construtoras, o efeito deve ser maior”, comenta o presidente da Dicico.

A loja também optou por não mexer nos juros do financiamento enquanto a situação do mercado financeiro internacional não ficar clara ou se normalizar. “A estabilidade deve voltar em breve”, prevê Markakis.

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