03/02/2009

Lula pede ousadia a ministros para enfrentar crise

Fonte: O Globo

Lula quer reduzir ainda mais o custo do financiamento habitacional para o brasileiro e conceder mais facilidades às famílias com renda inferior a cinco salários mínimos

Numa reunião ministerial que durou 10 horas, na Granja do Torto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou de seus ministros ousadia para enfrentar a crise econômico-financeira. Para o presidente, o momento exige medidas que não sejam tímidas. Lula também observou que, embora o governo esteja agindo para tentar reaquecer o crédito, ainda há dificuldades para obter recursos para o financiamento de investimentos.

O presidente falou em ousadia. Não é o momento para uma reação tímida ou retraída de nossa parte. É um momento de ousadia e nós vamos ter ousadia na política econômica e social, de modo que o Brasil terá condições de passar por esta crise com menos ônus que os outros países – afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

É a segunda vez que Lula convoca o ministério para debater a crise. O primeiro encontro ocorreu em novembro do ano passado.

Apesar de, na semana passada, o governo ter anunciado um contingenciamento de R$ 37,5 bilhões, Mantega disse que o Palácio do Planalto está disposto a manter os investimentos.

Todos os programas prioritários do governo serão mantidos, não só os investimentos, mas também os programas sociais estão mantidos, embora tenhamos de fazer um ajuste no orçamento, que vai representar um corte, uma redução das despesas de custeio. Hoje há uma disponibilidade menor no orçamento para despesas de custeio.

Na reunião, de acordo com Mantega, Lula declarou que o país não pode mais seguir o receituário antigo, de cortar investimentos.

O que o presidente frisou na reunião é que não podemos seguir o receituário que, antigamente, era colocado para o Brasil. Aliás, receituário que era feito pelos países que hoje estão enfrentando dificuldades. Hoje eles não têm nada para nos ensinar. Temos de seguir uma rota de nossa escolha e não vamos seguir a rota da desaceleração da economia.

O ministro adiantou queo governo irá incrementar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com a inclusão de novas obras. Mas não disse de quanto será esse aumento.

PACOTE PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL – Entre as medidas para conter os efeitos da crise, o governo prepara um pacote de estímulo para a construção civil, setor com grande capacidade de geração de empregos. O plano seria lançado na semana passada, mas foi adiado porque o presidente Lula quer reduzir ainda mais o custo do financiamento habitacional para o brasileiro e conceder mais facilidades às famílias com renda inferior a cinco salários mínimos (até R$ 2.075), faixa populacional com dificuldade para comprar imóvel, como afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A meta do governo é financiar 1 milhão de novos imóveis até 2010.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.