09/12/2008

Mania de natal

Fonte: O Estado de S. Paulo

Conceição Cipolatti, que faz do tema natalino o negócio da família, usa a paixão pela festa para decorar seu apartamento no Morumbi

São Paulo – Desde o hall do elevador, sente-se um perfume. Um não, vários. E a tradicional guirlanda dá as boas-vindas. Ao entrar nesse apartamento, no Morumbi, mesmo os avessos ao Natal se emocionam. O living, integrado à sala de jantar, está pronto para a festa: a árvore abarrotada de bolas, fitas, bonecos, pequenos pacotes e luzes miúdas; castiçais, às dezenas, com velas acesas; o presépio, instalado na lareira, a guirlanda do Advento (com quatro velas), disposta na mesa de centro, e arranjos com ciprestes, orquídeas, musgos e topiarias de cipó, alguns até mesmo sobre o piano de cauda checo Petrof, com as partituras já ensaiadas para a noite especial. 

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisSala de jantar de Conceição Cipolatti

Tudo em tons de verde, do pálido ao intenso, mais pitadas de vermelho. A mesa de jantar está vestida para a ceia, com louças e copos de Portugal, França e Itália, castiçais mineiros de estanho com miniguirlandas austríacas e um arranjo de frutas na travessa de prata alemã.

O esmero não surpreende; afinal, Conceição Cipolatti é uma versão feminina de Papai Noel. Ela dirige a empresa da família, que desde 1981 decora os principais shoppings de São Paulo e de capitais do Brasil e da América do Sul no fim de ano. E pensar que tudo começou com uma carroça de flores no Morumbi Shopping, providenciada a toque de caixa a pedido de um amigo… O sucesso foi tal a ponto de os quatro filhos envolverem-se no negócio. E, embora viva o espírito de Natal durante o ano inteiro, a empresária faz questão de manter a tradição no próprio lar. “Posso estar desabando de cansaço, mas deixo a casa pronta no dia 6 de dezembro, o de São Nicolau, e desmancho tudo no de Reis, um mês depois”, diz.

Natural da histórica Santa Bárbara (MG), onde nasceu em 1937, Conceição sempre foi assídua das igrejas da cidade. “Talvez por isso eu seja um pouco barroca, às vezes exagero…”, assume. “Para este pé-direito, por exemplo, a árvore de Natal deveria ter 1,50 m, mas esta mede 2,40 m – ela tem de ter presença.”

Sobre o antigo aparador de madeira maciça, a coleção de arte sacra mineira exibe santos, castiçais e oratório, além das famosas palmas de cobre de Sabará. Móveis novos são poucos, mas grifados (da Forma): mesa e cadeiras de jantar Mies van der Rohe (tubular, de ultrasuede, R$ 2.514 cada uma), mesas Saarinen (de centro, oval e baixa, com tampo de mármore Carrara, R$ 7.337), banquetas Barcelona, cadeiras Bertóia, sofá de couro preto e cadeira cromada com pele de vaca de Le Corbusier.

No mais, o mobiliário e muitos dos objetos datam do século 18 e estão na família há gerações. É o caso das cadeiras Maria I, do pesado baú, do oratório com a Imaculada Conceição e da colorida coleção de garrafas, vasos, potes e pinhas de cristal. Conceição aponta para o par de Baccarat verde no parapeito da lareira. “Tem uns 200 anos. Pertencia à casa do meu avô.”

Entre tantas relíquias, há espaço para a arte contemporânea. Caso da escultura de ferro de Roberto Vieira, das obras de Cláudio Tozzi, Nuno Ramos (quadro em técnica mista, US$ 4 mil, na Galeria Fortes Vilaça) e das reproduções de gravuras de Andy Warhol retratando Beethoven, comprada na casa onde viveu o compositor alemão, em Bonn. “Chorei quando entrei lá”, recorda-se Conceição, que abandonou a carreira de pianista, mas conserva a paixão pela música clássica. Tanto é verdade que, na noite do 24, ela promete dar um recital acompanhada pelo coro dos cinco netos.

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