03/02/2007

Materiais velhos, vida nova

Fonte: Jornal da Tarde

‘Cida’ Lufrano visita depósitos de demolição como se fosse um passeio a museu. E ainda decora a casa

Paulo Libert/AEZap o especialista em imóveisSala da casa da paisagista Maria ‘Cida’ Lufrano, que utiliza portas, janelas e móveis garimpados de demolições

A paisagista Maria Aparecida Lopes Lufrano (que não revela a idade nem para os filhos) é uma autêntica defensora da natureza. Por isso, em sua casa, no Butantã, Zona Oeste, fez questão de incluir diversos itens de demolição no projeto, como janelas, portas e até alguns móveis feitos de madeiras reutilizadas.

“Esses materiais são melhores, mais duráveis e não exigem o sacrifício de novas árvores”, explica. Um dos passatempos favoritos da paisagista e de seu marido é passear por lojas de materiais de demolição na Capital ou no interior e garimpar peças exclusivas. “Eu gosto muito de tudo que é velho. Além disso, é um passeio bem agradável. Encontro peças fabulosas e vou colocando tudo em casa”, completa.

Na casa em que vive atualmente, projetada há cinco anos pelo arquiteto Gil Lopes, da Ilha Arquitetura e Meio Ambiente, Cida, como gosta de ser chamada, incluiu janelas de demolição, uma porta de três folhas que tem mais de cem anos e um portão de madeira do século passado. Ela alega que esses materiais são mais duráveis e, além do trabalho artesanal que apresentam, são feitos de pinho de riga ou peroba – madeiras difíceis de serem encontradas atualmente.

Quando Cida encontra móveis de qualidade e resolve levar para casa, nem tudo cabe. “Tinha uma mesa que não cabia em casa, então mandei cortar uma parte para não ter de abrir mão dela”, conta.

A arquitetura moderna não faz parte do gosto da família Lufrano. “A madeira comum enverga, empena e deforma. As mais antigas não têm esse problema. Além disso, duram para sempre, pois já sofreram todos os processos naturais possíveis durante sua vida e são estáveis. A gente morre, e essas peças ainda ficam aqui”, brinca.

A paisagista recomenda o uso de materiais provenientes de demolição para quem gosta. Para ela, é mais do que um efeito estético; tem um valor de contribuição para o planeta, e as peças acabam adquirindo um valor sentimental. Maria Aparecida conta ainda que quando era mais nova, morava em Rio Preto, no interior, e via muita gente demolindo as construções com tudo que havia e até colocando fogo nessas madeiras. “Dinheiro e natureza jogados fora”, lamenta.

Mas preservar esse trabalho artesanal – que é difícil de ser encontrado hoje em dia – e a natureza não é trabalho para todos. “Esses materiais são, em geral, mais caros que os feitos em madeiras tradicionais e comercializados atualmente. Por isso, nem todo mundo pode comprá-los”, afirma. Cida lembra ainda que existem muitas lojas de materiais de demolição na Capital, e mesmo quem não vai comprar nada, deveria dar uma passeada por elas e conhecer um pouco das relíquias do passado.

 

 

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